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Livros sobre a incompatibilidade entre maçonaria e comunismo

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Esta pesquisa reúne os melhores livros encontrados para entender por que correntes maçônicas e comunistas passaram de aproximações pontuais a uma relação de incompatibilidade, exclusão e, em vários países, repressão. A prioridade foi dada a obras em português; em seguida aparecem livros em inglês e alguns títulos indispensáveis em espanhol.

O levantamento não procura provar uma tese política previamente escolhida. Ele distingue quatro coisas diferentes: o que instituições maçônicas declararam; o que a Internacional Comunista determinou; o que governos comunistas fizeram com as lojas; e o que autores conspiracionistas alegaram sem documentação confiável.

Resumo executivo

A resposta curta é: há livros muito bons que documentam uma oposição real, mas não existe uma única autoridade capaz de decretar que toda a maçonaria mundial é, em qualquer época, anticomunista. Grandes Lojas e Grandes Orientes são organizações soberanas, com tradições diferentes. A própria Grande Loja Unida da Inglaterra se define como não política, reserva opiniões públicas ao indivíduo e proíbe debates político-partidários em loja.

As evidências históricas mais fortes são estas:

  1. Em dezembro de 1922, o IV Congresso da Internacional Comunista declarou incompatível a dupla filiação no Partido Comunista e na maçonaria. A resolução sobre o Partido Comunista Francês ordenou o rompimento com as lojas e a expulsão de quem não obedecesse. Portanto, uma das provas mais claras da incompatibilidade vem do próprio movimento comunista internacional, não de um autor anticomunista.
  2. No Brasil, houve maçons próximos do socialismo, do anarquismo e do nascente PCB nas primeiras décadas do século XX. Depois ocorreu um afastamento progressivo. O Grande Oriente do Brasil condenou extremos de direita e de esquerda em 1934, adotou linguagem anticomunista em 1937 e, em 1949, proibiu a iniciação de pessoas que professassem a ideologia comunista.
  3. Regimes comunistas fecharam ou impediram lojas na Rússia soviética, Hungria, Iugoslávia e em grande parte do Leste Europeu. Isso reforçou uma oposição prática entre associações maçônicas autônomas e Estados de partido único. Cuba é uma exceção importante e impede generalizações absolutas.
  4. Autores fascistas, integralistas e antissemitas frequentemente alegaram o contrário: que maçonaria, judaísmo e comunismo formariam uma única conspiração. Essa literatura não comprova a oposição entre maçonaria e comunismo; é objeto de estudo da história da propaganda.

Os cinco melhores para começar

PrioridadeLivroIdiomaPor que começar por ele
1O poder da maçonaria, Marco Morel e Françoise J. O. SouzaPortuguêsMelhor reconstrução acadêmica da mudança brasileira, incluindo as decisões do GOB de 1934, 1937 e 1949.
2Toward the United Front, org. John RiddellInglêsEdição crítica completa do IV Congresso da Comintern, a fonte primária decisiva de 1922.
3História da Maçonaria em São Caetano do Sul, Mario Del ReyPortuguêsTem seção direta, “Tema Comunista”, é gratuita e reproduz a resolução de incompatibilidade.
4A antimaçonaria desvendada, Luiz Mário Ferreira CostaPortuguêsSepara conflito histórico real de propaganda integralista e da falsa conspiração judaico-maçônico-comunista.
5Freemasonry in Southeast Europe from the 19th to the 21st Centuries, org. Slobodan G. MarkovichInglêsLivro acadêmico gratuito com estudos de repressão comunista na Hungria e na Iugoslávia.

Melhor fonte documental: Toward the United Front ou The First Five Years of the Communist International, volume 2.

Melhor livro brasileiro: O poder da maçonaria.

Melhor opção gratuita em português: História da Maçonaria em São Caetano do Sul, especialmente as páginas 36–37 da paginação impressa.

Título mais diretamente alinhado à pergunta: Maçonaria e Comunismo: Incompatíveis. Entretanto, a loja que o vende não informa autor, editora, ano, ISBN ou número de páginas. Não deve ser comprado como primeira referência sem que o vendedor forneça a folha de rosto e a ficha catalográfica.

Metodologia e critérios

Foram pesquisados catálogos de bibliotecas, páginas de editoras, repositórios universitários, livros digitalizados por instituições, resenhas acadêmicas e os próprios documentos da Internacional Comunista. Cada título foi avaliado por cinco critérios:

  • relevância direta: se realmente trata de maçonaria e comunismo, e não apenas menciona um dos temas;
  • força documental: uso ou reprodução de resoluções, atas, arquivos e documentos institucionais;
  • rigor: autoria, editora, referências e recepção acadêmica;
  • utilidade em português: prioridade para edições brasileiras ou portuguesas;
  • acesso: disponibilidade comercial, em bibliotecas ou em texto integral legal.

As classificações usadas são:

  • essencial: responde diretamente à pergunta ou contém a fonte primária decisiva;
  • muito recomendado: oferece pesquisa histórica sólida e contexto indispensável;
  • complementar: é útil, mas o tema não domina o livro;
  • usar com cautela: perspectiva confessional, maçônica ou partidária que precisa ser cruzada;
  • não usar como prova: propaganda ou teoria conspiratória, relevante apenas como objeto histórico.

O que exatamente está provado

Não existe uma “maçonaria mundial” com posição política única

A maçonaria é formada por obediências soberanas. A Constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra, por exemplo, declara que a instituição não se pronuncia sobre políticas de Estado ou teorias rivais de governo; cada membro conserva suas opiniões individuais, mas não pode promovê-las em loja. A página institucional da UGLE também a descreve como sem filiação política ou religiosa.

Assim, a formulação historicamente segura não é “todo maçom é contra o comunismo”. É esta:

A dupla filiação foi formalmente rejeitada pela Internacional Comunista; diversas obediências, especialmente no Brasil durante o século XX, assumiram posições anticomunistas; e numerosos regimes comunistas suprimiram a atividade maçônica. Ainda assim, existiram maçons socialistas, comunistas ou próximos da esquerda, e as posições variaram por país, obediência e período.

O documento decisivo de 1922

Na “Resolução sobre a Questão Francesa”, o IV Congresso da Internacional Comunista afirmou que a incompatibilidade entre comunismo e maçonaria já era considerada evidente. Determinou que o Partido Comunista Francês rompesse todos os vínculos maçônicos até 1º de janeiro de 1923 e previsse expulsão para quem mantivesse dupla filiação. O texto integral aparece em inglês nas páginas 405–406 da coletânea de Jane Degras e no volume 2 de Trotsky; uma transcrição pública da resolução permite conferir a passagem.

Trotsky desenvolveu a justificativa em “Communism and Freemasonry”, publicado em 16 de dezembro de 1922: para ele, as lojas francesas eram instituições burguesas de conciliação de classes e, portanto, incompatíveis com a disciplina revolucionária. O texto e a referência ao periódico original estão disponíveis para conferência.

Esse material prova com grande força a hostilidade comunista institucional à maçonaria naquele contexto. Ele não prova, sozinho, que toda obediência maçônica tenha adotado uma doutrina anticomunista universal.

A trajetória brasileira

O estudo acadêmico mais direto disponível gratuitamente, “Os comunistas e a maçonaria no Brasil”, de Michel Goulart da Silva, sintetiza a sequência documentada nos livros abaixo:

  • até as primeiras décadas do século XX houve aproximações entre maçons, anticlericais, anarquistas, socialistas e militantes operários;
  • a Comintern proibiu a dupla filiação e criticou a presença de elementos maçônicos no PCB;
  • o Grande Oriente do Brasil passou por uma “guinada conservadora” e adotou posições anticomunistas;
  • em 1934, o GOB tratou tanto integralistas quanto comunistas como extremos incompatíveis;
  • em 1949, proibiu a iniciação de pessoas que professassem a ideologia comunista e recomendou sindicância rigorosa;
  • a maior parte da maçonaria brasileira organizada apoiou o movimento de 1964, embora houvesse divergências internas.

Ranking comentado: livros essenciais e muito recomendados

1. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil — Marco Morel e Françoise Jean de Oliveira Souza

Português | Nova Fronteira, 2008 | 259 páginas | ISBN 9788520920817 | Essencial

É a melhor escolha em português para a pergunta do usuário. Escrito por dois historiadores não maçons, acompanha a atuação pública da instituição no Brasil sem aderir nem à celebração interna nem à denúncia conspiratória. A resenha acadêmica da revista Locus destaca justamente esse lugar historiográfico.

As páginas mais importantes para este tema são as citadas pela pesquisa de Michel Goulart da Silva: pp. 189 e 191, sobre o socialismo reformista e o afastamento do movimento operário; pp. 211–212, sobre as orientações do GOB em 1934 e 1937; e p. 228, sobre a proibição de iniciar comunistas em 1949. É a obra que melhor documenta a oposição partindo de uma grande obediência maçônica brasileira.

Limite: é uma história geral da maçonaria brasileira, não uma monografia exclusiva sobre comunismo.

2. Toward the United Front: Proceedings of the Fourth Congress of the Communist International, 1922 — John Riddell, organizador e tradutor

Inglês | Brill, 2011/2012; Haymarket, 2012 | 1.310 páginas | ISBN 9789004207783 ou 9781608462360 | Essencial

É a melhor fonte primária em livro. Reúne a transcrição completa e anotada do IV Congresso da Internacional Comunista, com introdução, notas, cronologia, glossário, índice e mais de quinhentas biografias. A edição Haymarket é mais acessível que a edição acadêmica da Brill.

O leitor deve procurar a resolução sobre a crise do Partido Comunista Francês e o tópico sobre maçonaria. Ali aparece a ordem de romper a dupla filiação. Como a obra documenta o congresso inteiro, também permite entender a centralização partidária e o motivo pelo qual as lojas foram consideradas organizações burguesas rivais.

Por que é superior a um livro anticomunista: não interpreta de fora; publica a deliberação do próprio movimento comunista internacional.

3. The First Five Years of the Communist International, volume 2 — Leon Trotsky

Inglês | Pathfinder Press, 2ª edição, 1972 | 519 páginas | ISBN 9780873488310 | Essencial

Contém a “Resolution on the French Question” e os escritos de Trotsky relativos aos primeiros anos da Comintern. A editora Pathfinder confirma edição, páginas e ISBN.

É o livro mais direto para citar a posição comunista: a resolução considera maçonaria e comunismo incompatíveis e prevê a expulsão de membros que não abandonassem as lojas. Deve ser lido como fonte primária partidária, não como história neutra.

Acesso: a resolução está disponível legalmente em HTML, mas a edição impressa é melhor para citação bibliográfica estável.

4. História da Maçonaria em São Caetano do Sul — Mario Del Rey

Português | Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, 2004 | 256 páginas na digitalização | Gratuito | Essencial

Apesar do título local, o livro traz uma introdução geral extensa e uma seção chamada “Tema Comunista”, nas pp. 36–37. O autor rejeita a teoria de que maçonaria e comunismo seriam aliados, explica a condenação da Comintern e reproduz parte da resolução de 1922. Também distingue comunismo marxista-leninista de formas pluralistas de socialismo.

O PDF integral é disponibilizado pela própria Fundação Pró-Memória. É a melhor resposta gratuita e imediatamente legível em português.

Limite: é uma obra de perspectiva maçônica e de história local; suas generalizações precisam ser cruzadas com Riddell, Degras, Morel e Souza.

5. A antimaçonaria desvendada: conspirações, pactos satânicos e comunismo — Luiz Mário Ferreira Costa

Português | Prismas, 2016 | 247 páginas | ISBN 9788555072154 | Muito recomendado

Este livro é indispensável porque evita uma armadilha frequente: confundir oposição real com a alegação de que comunismo e maçonaria seriam partes da mesma conspiração. Derivado de pesquisa acadêmica, examina a formação da antimaçonaria no Brasil e dedica atenção especial a Gustavo Barroso e à História Secreta do Brasil.

A resenha acadêmica na REHMLAC+ confirma dados bibliográficos, método e escopo. É o melhor livro brasileiro para avaliar criticamente panfletos católicos, integralistas e antissemitas.

O que ele demonstra: narrativas que fundem maçonaria, judaísmo, satanismo e comunismo têm história política própria; não são prova de uma aliança real.

6. Freemasonry in Southeast Europe from the 19th to the 21st Centuries — Slobodan G. Markovich, organizador

Inglês | Institute for European Studies/Zepter Book World, 2020 | 307 páginas | ISBN 9788674941645 | Muito recomendado e gratuito

Coletânea acadêmica especialmente útil para verificar o que aconteceu sob regimes autoritários e comunistas. Os capítulos de maior interesse são “The Dilemmas of Modern Hungarian Freemasonry” e “Decline of the Grand Lodge of the Kingdom of Yugoslavia 1940–58”.

O livro mostra que a maçonaria húngara, reativada depois da Segunda Guerra, foi novamente proibida pelo regime stalinista em 1950. Na Iugoslávia, o governo comunista considerou as organizações maçônicas ilegais e hostis; maçons foram processados como oposição burguesa, submetidos a julgamentos de fachada e, em casos excepcionais, executados extrajudicialmente.

O PDF integral é oferecido pelo Institute for European Studies de Belgrado.

7. The Communist International, 1919–1943: Documents, volume 1 — Jane Degras, organizadora

Inglês | Oxford University Press, 1956 | 463 páginas | Essencial como fonte documental

É uma seleção clássica de documentos da Comintern. Nas pp. 403–406, apresenta o contexto da crise francesa e a resolução que chama maçonaria e comunismo de incompatíveis, exige o rompimento e prevê expulsão. O Google Books confirma os dados da edição.

É mais curta e manejável que Riddell, mas também mais seletiva. A introdução editorial ajuda a localizar Frossard, Cachin, o Partido Comunista Francês e o delegado brasileiro Antônio Bernardo Canellas.

8. O PCB (1922–1943) — Edgard Carone, organizador

Português | Difel, 1982 | cerca de 350 páginas | Essencial para o Brasil

Reúne documentos fundamentais do Partido Comunista do Brasil. Inclui o “Relatório de viagem à URSS”, de Antônio Bernardo Canellas, e a resolução que criticou o PCB por conservar ideologia burguesa associada à presença de elementos maçônicos.

As páginas 31 e 33–34 são citadas no estudo de Michel Goulart da Silva: Canellas defendia que a questão maçônica não deveria impedir a adesão do PCB à Comintern; a Internacional discordou, aceitou provisoriamente o partido apenas como simpatizante e exigiu sua transformação. É uma fonte brasileira de primeira ordem, embora esteja geralmente disponível apenas em bibliotecas e sebos.

9. História da Internacional Comunista (1919–1943), tomo 1 — Pierre Broué

Português | Sundermann, 2007 | 752 páginas | ISBN 9788599156230 | Muito recomendado

É a grande narrativa histórica, em português, da organização que formalizou a incompatibilidade. A ficha da edição brasileira confirma tradução, editora, páginas e ISBN.

Broué não escreveu um livro sobre maçonaria, mas oferece o melhor contexto em português para entender o IV Congresso, as disputas nacionais, a bolchevização e as depurações. Deve ser usado ao lado do documento de Riddell, Trotsky ou Degras.

10. A Maçonaria: como os pedreiros-livres construíram o mundo moderno — John Dickie

Português | Edições 70, 2022 | 464 páginas | ISBN 9789724424750 | Muito recomendado

É a melhor história geral moderna disponível em português. Dickie acompanha a diversidade da maçonaria em vários países, suas relações com revoluções, governos e perseguições e o modo como regimes autoritários construíram teorias conspiratórias a seu respeito. A edição portuguesa corresponde a The Craft: How the Freemasons Made the Modern World.

Não é o livro mais direto sobre comunismo, mas é excelente para impedir que um episódio francês ou brasileiro seja indevidamente convertido em regra universal.

11. Freemasonry: A Very Short Introduction — Andreas Önnerfors

Inglês | Oxford University Press, 2017 | ISBN impresso 9780198796275 | Muito recomendado

Introdução acadêmica curta e confiável. O capítulo 8, “Perceptions, prejudices, and persecutions”, resume a repressão estatal e a formação dos mitos conspiratórios modernos. A página oficial da Oxford fornece sumário, DOI e dados bibliográficos.

É a melhor porta de entrada em inglês para quem deseja compreender a instituição antes de entrar no conflito ideológico. Não substitui os documentos de 1922.

12. Maçonaria no Brasil: história, política e sociabilidade — Michel Goulart da Silva, organizador

Português | Paco Editorial, 2015 | 280 páginas | ISBN 9788581488769 | Muito recomendado

Coletânea acadêmica que trata a maçonaria como fenômeno social e político, afastando-se tanto da literatura laudatória interna quanto da denúncia de complôs. O registro e a resenha da Universidade Estadual de Maringá confirmam o caráter acadêmico da obra.

É especialmente útil para compreender a “guinada conservadora” da maçonaria brasileira e o ambiente que produziu seu anticomunismo. O tema está distribuído no conjunto da obra; não espere um único capítulo que funcione como manifesto.

Outros livros úteis em português

13. Anarquistas e comunistas no Brasil, 1900–1935 — John W. F. Dulles

Português | Nova Fronteira, 2ª edição revista e ampliada, 1980 | Complementar forte

História clássica da formação do movimento operário e do PCB. Reconstrói o momento em que militantes foram pressionados a escolher entre maçonaria e Partido Comunista. O catálogo da UFRJ confirma a edição brasileira.

Sua força está na narrativa brasileira detalhada; sua limitação é não ter a relação maçonaria-comunismo como tema central.

14. Entre a foice e o compasso: imprensa, socialismo e maçonaria na trajetória de Everardo Dias na Primeira República — Michel Goulart da Silva

Português | tese de doutorado, UFSC, 2016 | Texto integral gratuito | Muito recomendado como monografia acadêmica

Não é uma edição comercial, mas merece lugar na bibliografia porque estuda precisamente um personagem situado entre maçonaria, imprensa operária, socialismo e PCB. O repositório oficial da UFSC disponibiliza a pesquisa completa.

É o melhor antídoto contra a ideia de que a separação sempre existiu: mostra as zonas de contato anteriores e ajuda a datar o afastamento.

15. Dicionário de Maçonaria Portuguesa, 2 volumes — A. H. de Oliveira Marques

Português | Editorial Delta, 1986 | 1.536 colunas/páginas | Obra de referência

O verbete sobre socialismo, citado por Mario Del Rey, explica que a aspiração maçônica genérica a progresso, justiça e fraternidade não equivale a uma doutrina política específica. Admite a presença individual de socialistas e liberais desde que respeitem pluralidade e regras da obediência.

O catálogo bibliográfico confirma autoria, editora, extensão e classificação. É raro no mercado, mas valioso em bibliotecas portuguesas.

16. O que é a Maçonaria — Alberto Victor Castellet

Português | Madras, 2004 | 152 páginas | ISBN 9788573742565 | Usar com cautela

Apresentação didática de perspectiva maçônica. A passagem relevante distingue o comunismo marxista dogmático de formas não dogmáticas e pluralistas de socialismo, consideradas conciliáveis com parte da ética social maçônica. A página da editora Madras confirma dados da edição.

É útil para responder com precisão: o alvo declarado não é toda proposta de justiça social, mas o partido único, a ditadura e a supressão do pluralismo na interpretação do autor.

17. A ação secreta da maçonaria na política mundial — José Castellani

Português | Landmark, edição de 2003 | 176 páginas | ISBN 9788588781313 | Usar com cautela

Obra popular de autor maçônico, com manifestos e documentos. Na discussão do Brasil de 1964, apresenta a atuação maçônica como defesa da legalidade constitucional e de valores nacionais contra o projeto atribuído à esquerda. A página oficial da Landmark detalha conteúdo e edição.

Serve para conhecer a memória institucional maçônica, mas não deve ser a única fonte sobre 1964. Cruze com Morel e Souza e com a historiografia do anticomunismo.

18. Maçonaria e Ação Política — Waldemar Zveiter

Português | Mandarino, 1993 | 192 páginas em exemplares catalogados | Usar com cautela

Reúne discursos e posições de um ex-grão-mestre e ex-presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil. Ajuda a entender como parte da maçonaria brasileira formulou sua atuação cívica, rejeitando métodos revolucionários e defendendo, ao mesmo tempo, direitos humanos e reforma agrária.

É um livro raro, normalmente encontrado em sebos. Tem valor como fonte interna, não como estudo acadêmico independente.

19. Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil (1917–1964) — Rodrigo Patto Sá Motta

Português | Perspectiva/Fapesp, 2002 | 297 páginas | ISBN 9788527302920 | Complementar

Não é um livro sobre maçonaria, mas é o melhor enquadramento para compreender os vários anticomunismos brasileiros, sua linguagem nacionalista e a coalizão que culminou em 1964. O registro bibliográfico informa que a obra nasceu de tese de doutorado e inclui bibliografia extensa.

Use-o para avaliar criticamente o discurso maçônico brasileiro, não para substituir os documentos específicos do GOB.

20. Maçonaria e Comunismo: Incompatíveis — autoria não informada na página de venda

Português | edição e ISBN não informados | Relevância direta, confiabilidade ainda não verificável

A sinopse afirma analisar conceitos, história, documentos oficiais, contextos brasileiros e a posição atual da Ordem diante do marxismo. É o título comercial que mais literalmente corresponde ao pedido. A página do produto, porém, não fornece autor, editora, ano, ISBN, páginas, sumário ou bibliografia.

Recomendação: antes da compra, solicitar fotografias da folha de rosto, ficha catalográfica, sumário e bibliografia. Sem isso, não há como colocá-lo acima de Morel, Souza, Riddell ou Del Rey.

Livros em inglês e espanhol para aprofundamento

21. La masonería — José Antonio Ferrer Benimeli

Espanhol | Alianza Editorial, 2013 ou 3ª edição de 2019 | ISBN 9788491817468 na edição atual | Muito recomendado

Síntese de um dos mais importantes historiadores acadêmicos da maçonaria. Discute a condenação da Comintern, a caracterização burguesa das lojas e as perseguições do século XX. A edição atual está catalogada com 386 páginas.

É em espanhol, mas a proximidade linguística e o rigor fazem dele uma excelente alternativa quando não se encontra uma monografia equivalente em português.

22. El contubernio judeo-masónico-comunista: del satanismo al escándalo de la P-2 — José Antonio Ferrer Benimeli

Espanhol | Istmo, 1982 | 445 páginas | ISBN 9788470901218 | Essencial para crítica da propaganda

Estuda historicamente a falsa ideia de uma conspiração mundial judaico-maçônico-comunista, suas falsificações, autores e usos políticos. O registro do Google Books confirma edição e conteúdo.

É complementar à pergunta: mostra por que o fato de comunistas e maçons terem sido agrupados pelos inimigos de ambos não comprova aliança. Pelo contrário, a propaganda apagava conflitos reais entre eles.

23. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry — Robert L. D. Cooper

Inglês | Lewis Masonic, 2011 | 311 páginas | ISBN 9780853183327 | Usar com cautela

História ampla das perseguições à maçonaria, incluindo regimes políticos do século XX. A ficha do Google Books confirma escopo, editora e extensão.

Cooper é historiador e maçom; a obra é útil para o ponto de vista institucional e para casos de repressão, mas deve ser cruzada com estudos acadêmicos externos, especialmente Önnerfors e Markovich.

24. The Many Lives of a Jesuit, Freemason, and Philanthropist: The Story of Töhötöm Nagy — Éva Petrás

Inglês | Central European University Press, 2023 | 306 páginas | ISBN 9789633867181 | Gratuito em acesso aberto

Biografia baseada também nos arquivos da segurança do Estado húngaro. O capítulo VIII chama-se “The Catholic Church, Freemasons, and Communists”; outros capítulos examinam a maçonaria húngara e a relação do personagem com o serviço secreto comunista.

A página oficial da editora oferece o e-book em PDF de acesso aberto. É um excelente estudo de caso sobre escolhas pessoais, infiltração, vigilância e sobrevivência institucional na Guerra Fria.

25. The Freemasons: A History of the World's Most Powerful Secret Society — Jasper Ridley

Inglês | Arcade, 2001/2002; reedições posteriores | ISBN 1559706015 | Complementar

História geral legível, com atenção às perseguições, aos mitos e à maçonaria continental. A resenha da Kirkus confirma o escopo e o ISBN.

Hoje, John Dickie e Andreas Önnerfors são portas de entrada mais atualizadas. Ridley continua útil para uma narrativa panorâmica, mas não deve ser a primeira fonte para a resolução de 1922.

Obras adicionais para pesquisa especializada

  • Los cuatro primeros congresos de la Internacional Comunista, volume 2, Ediciones Pasado y Presente, 1973/1977. Reúne em espanhol as teses e resoluções dos congressos; é uma alternativa documental para quem não lê inglês. Há registro em catálogo público.
  • Comunistas e trotskistas: a crítica operária à Revolução de 1930, Angelo José da Silva, Moinho do Verbo, 2002. Ajuda a compreender a bolchevização e as disputas que afastaram antigos militantes, mas a maçonaria não é o centro.
  • Solidão revolucionária: Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil, José Castilho Marques Neto, Paz e Terra, 1993. Contexto para as rupturas do comunismo brasileiro e a disciplina da Internacional.
  • The Craft: How the Freemasons Made the Modern World, John Dickie, PublicAffairs, 2020, ISBN 9781610398671. É a edição inglesa original do livro publicado em português como A Maçonaria.

Livros que parecem responder, mas defendem outra tese

Os títulos abaixo são importantes como fontes primárias sobre fascismo, integralismo, antissemitismo e antimaçonaria, não como história confiável da relação entre maçonaria e comunismo.

Judaísmo, Maçonaria e Comunismo — Gustavo Barroso

Publicado pela Civilização Brasileira em 1937, o livro afirma que judaísmo, maçonaria e comunismo fariam parte de uma conspiração comum. Isso é o oposto da documentação da Comintern e da posterior proibição de comunistas pelo GOB. Barroso era dirigente integralista e também traduziu Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação antissemita.

Para estudá-lo, use como mediação A antimaçonaria desvendada. A pesquisa da UNILA sobre Gustavo Barroso situa a obra em sua propaganda antissemita e anticomunista.

O Comunismo e a Maçonaria — Padre Antônio Feitosa

Obra de polêmica católica que associa os dois fenômenos como perigos convergentes. Não demonstra incompatibilidade; utiliza uma interpretação religiosa adversária de ambos. Serve para história do anticomunismo e da antimaçonaria, não para estabelecer fatos institucionais.

Comunismo e Maçonaria: Forças Secretas da Guerra — Tomé Vieira

Publicado em Portugal e reeditado em 1977, deriva de As forças secretas que dirigem a guerra: Maçonaria, Judaísmo e Bolchevismo (1942). A obra se apoia na tradição dos Protocolos e deve ser classificada como propaganda conspiratória e antissemita, não como pesquisa.

Comunismo y masonería — Eduardo Comín Colomer

Publicado em Segóvia em 1951, pertence ao ambiente ideológico e policial do franquismo. O regime de Franco reuniu maçonaria e comunismo na mesma legislação repressiva, apesar da hostilidade documentada entre as duas organizações. É fonte sobre a visão franquista, não árbitro neutro da relação.

Matriz de escolha por objetivo

ObjetivoEscolha principalSegunda escolha
Provar documentalmente a incompatibilidade decretada pela CominternToward the United FrontTrotsky, The First Five Years…, v. 2
Ler a resolução numa coletânea acadêmica mais curtaDegras, The Communist International, v. 1Los cuatro primeros congresos…, v. 2
Entender o anticomunismo do Grande Oriente do BrasilMorel e Souza, O poder da maçonariaSilva, Maçonaria no Brasil
Obter uma resposta direta e gratuita em portuguêsDel Rey, História da Maçonaria em São Caetano do Sulartigo “Os comunistas e a maçonaria no Brasil”
Entender as aproximações anteriores à rupturaSilva, Entre a foice e o compassoDulles, Anarquistas e comunistas no Brasil
Estudar repressão por regimes comunistasFreemasonry in Southeast Europe…Petrás, The Many Lives…
Separar história de teoria conspiratóriaCosta, A antimaçonaria desvendadaFerrer Benimeli, El contubernio…
Obter uma visão geral moderna em portuguêsDickie, A MaçonariaMorel e Souza, O poder da maçonaria
Conhecer a interpretação maçônica internaCastellani, A ação secreta…Castellet, O que é a Maçonaria

Recomendações práticas

Roteiro de leitura equilibrado

  1. Leia primeiro O poder da maçonaria, concentrando-se nas pp. 189, 191, 211–212 e 228.
  2. Confira diretamente a resolução de 1922 em Toward the United Front, Trotsky ou Degras. Isso impede que uma interpretação posterior seja tratada como se fosse o documento original.
  3. Leia gratuitamente o “Tema Comunista” de Mario Del Rey para conhecer a formulação maçônica brasileira.
  4. Use Entre a foice e o compasso para observar que houve proximidade e dupla filiação antes da ruptura.
  5. Termine com A antimaçonaria desvendada ou El contubernio judeo-masónico-comunista para reconhecer propaganda conspiratória.

Para escrever ou ensinar sobre o assunto

  • Não use “a maçonaria pensa” sem identificar obediência, país e data.
  • Diferencie anticomunismo maçônico de antimaçonaria comunista; os dois processos se reforçaram, mas não são idênticos.
  • Cite a resolução de 1922 como decisão da Comintern no contexto do Partido Comunista Francês e da disciplina de suas seções, não como lei universal de todas as esquerdas.
  • Ao mencionar o Brasil, documente a mudança: aproximações operárias no começo do século, afastamento após 1922, orientações do GOB em 1934/1937 e proibição de iniciação em 1949.
  • Não use Barroso, Feitosa, Vieira ou Comín Colomer sem identificar explicitamente seu caráter ideológico e propagandístico.
  • Evite igualar socialismo democrático, social-democracia, marxismo, leninismo e regimes de partido único. Alguns autores maçônicos aceitam o primeiro e rejeitam os últimos.

Ordem de compra recomendada

  1. O poder da maçonaria, se encontrado em sebo ou biblioteca.
  2. A Maçonaria, de John Dickie, pela disponibilidade atual em português.
  3. A antimaçonaria desvendada, para a crítica das fontes brasileiras.
  4. Toward the United Front, caso a pesquisa exija citação documental em inglês.
  5. História da Internacional Comunista, de Broué, para contexto aprofundado em português.

Não é recomendável começar pelo título sem autoria Maçonaria e Comunismo: Incompatíveis. O nome é perfeito para a busca, mas a transparência bibliográfica é insuficiente.

Conclusão

Os melhores livros confirmam uma incompatibilidade histórica importante, mas também corrigem simplificações. A Internacional Comunista determinou em 1922 que seus membros rompessem com a maçonaria, vista como organização burguesa e conciliadora de classes. No Brasil, o Grande Oriente do Brasil caminhou em direção oposta e assumiu progressivamente posições anticomunistas, culminando na proibição de iniciar comunistas em 1949. Em diversos Estados comunistas, lojas foram fechadas e maçons foram tratados como oposição burguesa.

Isso permite afirmar, com documentação, que maçonaria organizada e comunismo de orientação marxista-leninista se tornaram institucionalmente adversários em grande parte do século XX. Não permite afirmar que todo maçom, toda obediência ou toda forma de socialismo seja necessariamente incompatível. A bibliografia mais séria mostra tanto o conflito quanto as exceções e as aproximações anteriores.

Para uma biblioteca mínima e realmente boa, o conjunto ideal é: O poder da maçonaria; Toward the United Front; História da Maçonaria em São Caetano do Sul; A antimaçonaria desvendada; e Freemasonry in Southeast Europe. Esses cinco títulos cobrem documento primário, Brasil, interpretação maçônica, crítica da propaganda e repressão comunista.

Fontes consultadas


Nota sobre atualidade

Pesquisa concluída em 2 de agosto de 2026. Disponibilidade, preços e páginas comerciais podem mudar; dados bibliográficos e acesso devem ser confirmados nos catálogos e editoras antes da compra.

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