Esta pesquisa procura responder quatro perguntas que parecem simples, mas exigem critérios diferentes: quais países têm mais maçons; onde a maçonaria é mais presente; onde ela é proibida; e onde não existe uma presença pública verificável. O recorte especial é o Oriente Médio, região em que convivem uma das maiores organizações maçônicas nacionais fora do Ocidente, obediências multilíngues, proibições expressas, organizações no exílio e países cujo ambiente jurídico torna uma loja pública praticamente impossível.
O ponto central é metodológico: não existe um censo maçônico mundial, uma autoridade universal nem uma definição única de quem deve ser contado. Números exatos divulgados sem indicar obediência, território e ano quase sempre misturam universos diferentes.
Resumo executivo
- Estados Unidos são, com grande margem, o país com mais maçons em números absolutos entre os totais consolidados disponíveis: 869.429 membros em 2023 nas jurisdições reunidas pela Masonic Service Association of North America (MSANA). O mesmo levantamento mostra o tamanho da retração histórica: eram pouco mais de 4,1 milhões em 1959.
- Brasil é provavelmente o segundo maior polo nacional contemporâneo. Um guia oficial do Grande Oriente do Brasil (GOB), publicado em 2024, estima cerca de 250 mil maçons brasileiros regulares; desse total, aproximadamente 76 mil estariam no próprio GOB. A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), que reúne 27 Grandes Lojas estaduais, declara isoladamente mais de 100 mil membros ativos e mais de 3 mil lojas.
- Inglaterra e País de Gales, sob a United Grand Lodge of England (UGLE), formam outro polo gigantesco: 170 mil membros em mais de 7 mil lojas. O total, porém, inclui distritos ultramarinos e não deve ser tratado como população estritamente residente.
- França tem um dos ecossistemas mais densos e plurais. Somente cinco grandes obediências publicam números que somam aproximadamente 148 mil filiações: GODF, GLDF, GLNF, GLFF e a Federação Francesa do Droit Humain. A soma é um piso institucional, não um censo nacional, e pode incluir filiações ultramarinas ou múltiplas.
- Depois desses quatro polos, não há dados suficientemente homogêneos para um ranking mundial preciso. Canadá, Austrália, México, Itália, Filipinas, Índia, Argentina e África do Sul têm presença relevante, mas estruturas federadas ou múltiplas obediências tornam perigoso apresentar uma ordem fechada.
- Entre os números nacionais diretamente publicados, destacam-se ainda Escócia, com cerca de 27 mil, Filipinas, com 22.125 membros regulares pagantes e 27.417 filiações brutas em 2025, Irlanda, com cerca de 20 mil, e Turquia, com 18 mil membros em 272 lojas.
- No Oriente Médio, os três centros públicos mais claros são Turquia, Israel e Líbano. Israel declara cerca de 1.000 irmãos e 56 lojas ativas; uma única corrente escocesa do Líbano lista 12 lojas, e há várias outras potências no país, sem total nacional confiável.
- Jordânia é o caso jurídico mais inequívoco da região: sua Lei das Sociedades determina expressamente que atividades maçônicas são proibidas no Reino. No Iraque, o artigo 201 do Código Penal criminaliza promover princípios maçônicos, ingressar em instituições maçônicas ou apoiá-las. Irã criminalizou a filiação após a Revolução de 1979; sua Grande Loja continua no exílio nos Estados Unidos. Paquistão proibiu a associação e confiscou seus bens em 1983.
- Egito fechou/dissolveu a atividade maçônica em 1964 e hoje não apresenta uma estrutura pública regular reconhecida. Para a Síria, a proibição histórica é bem documentada, mas a situação jurídica atual não é transparente o bastante para afirmar, sem ressalvas, que existe hoje uma lei nominalmente antimaçônica em vigor.
- Em Arábia Saudita, Afeganistão, Coreia do Norte e China continental, o correto é falar em ausência pública verificável e inviabilidade de fato, decorrente do controle sobre associações, religião ou sociedade civil. Isso não equivale a provar que nenhum maçom individual ou círculo clandestino exista.
- O Vaticano não oferece um bom exemplo de “país que criminaliza maçons”. O fato confirmado é uma proibição doutrinal da Igreja Católica: católicos não podem aderir a associações maçônicas. Trata-se de disciplina religiosa, não de uma estatística criminal do Estado da Cidade do Vaticano.
Resposta direta
Onde há mais maçons em números absolutos?
Com dados comparáveis e rastreáveis, a ordem mais defensável é:
- Estados Unidos: 869.429 em 2023.
- Brasil: cerca de 250 mil maçons regulares, estimativa institucional de 2024.
- Ecossistema UGLE, centrado em Inglaterra e País de Gales: 170 mil, incluindo distritos no exterior.
- França: pelo menos cerca de 148 mil filiações somando cinco grandes obediências, com ressalvas de sobreposição e ultramar.
Não é metodologicamente seguro continuar numerando a partir daí como se existisse uma tabela mundial uniforme. O segundo pelotão inclui países com dezenas de milhares de membros, mas sem consolidação nacional atual: Canadá, Austrália, México, Itália, Filipinas, Índia, Argentina e África do Sul.
Onde a maçonaria parece mais densa?
Escócia, Inglaterra/País de Gales, Irlanda, Estados Unidos, França e Brasil apresentam combinações fortes de população, número de lojas, capilaridade territorial e antiguidade institucional. Uma conta per capita muito aproximada colocaria a Escócia especialmente alto, mas comparações desse tipo são frágeis porque as Grandes Lojas britânicas e irlandesa mantêm lojas fora do território doméstico.
Onde ela é proibida?
Os casos modernos com documentação particularmente forte são Jordânia, Iraque, Irã e Paquistão. O Egito mantém o legado da dissolução de 1964 e não tem maçonaria pública regular verificável. A Síria teve proibição sob o regime baathista, mas exige cautela ao descrever a lei corrente.
Onde ela “não existe”?
Não é possível provar a inexistência absoluta de uma associação que pode operar discretamente. A formulação responsável é: não foi localizada loja pública, legal e verificável. Essa categoria abrange, com diferentes graus de certeza, Arábia Saudita, Afeganistão, Coreia do Norte, China continental e vários Estados do Golfo. Hong Kong e Taiwan, porém, têm atividade maçônica; portanto, “não existe na China” seria uma simplificação errada.
Metodologia e critérios
Fontes priorizadas
Foram priorizados:
- totais publicados por Grandes Lojas, Grandes Orientes e confederações;
- listas de reconhecimento mantidas por potências maçônicas estabelecidas;
- legislação, diários oficiais e traduções jurídicas institucionais;
- enciclopédias acadêmicas e estudos históricos para países sem instituições públicas atuais;
- relatórios de liberdade de associação e religião para avaliar impedimentos de fato.
O que foi contado
“Maçom” pode significar filiado a uma Grande Loja masculina regular, a uma obediência liberal ou adogmática, a uma organização feminina, a uma ordem mista ou a mais de uma delas. Nesta pesquisa:
- números de uma instituição são apresentados como números daquela instituição;
- totais nacionais só são usados quando a própria fonte declara representar um universo nacional;
- somas entre obediências são chamadas de filiações, não necessariamente de pessoas únicas;
- loja, capítulo, rito de altos graus e corpo paramaçônico não são tratados como a mesma unidade;
- ausência da lista da UGLE não é considerada prova de irregularidade jurídica, proibição ou inexistência.
Escala de confiança
| Grau | Significado |
|---|---|
| Alto | Número recente publicado pela própria organização ou por agregador maçônico institucional, com ano e escopo claros. |
| Médio | Soma de instituições identificadas ou dado institucional mais antigo, útil como ordem de grandeza. |
| Baixo | Estimativa secundária, dado sem ano claro ou situação fragmentada; usado apenas com aviso. |
Por que não existe um censo mundial confiável
A maçonaria não possui um “Vaticano maçônico”. Cada Grande Loja ou Grande Oriente é soberano dentro de sua tradição e decide quem reconhece. A UGLE explica que reconhecimento significa considerar outra Grande Loja regular e permitir intervisitação; ela também avisa que um país pode ter várias Grandes Lojas, embora normalmente reconheça apenas uma.
Há pelo menos sete fontes de erro:
- Múltiplas obediências: a França e o Brasil têm várias organizações grandes.
- Filiação plural: uma pessoa pode pertencer a mais de uma loja e aparecer mais de uma vez em certos relatórios.
- Territórios ultramarinos: números ingleses, escoceses, irlandeses e franceses podem incluir membros fora do território europeu.
- Tradições não reconhecidas entre si: uma lista “regular” deixa de fora correntes liberais, femininas ou mistas que continuam sendo organizações reais e legais.
- Datas desencontradas: algumas entidades publicam balanços anuais; outras repetem por anos um número arredondado.
- Sigilo cadastral: uma loja pode divulgar endereço e eventos, mas não o número de membros.
- Ambientes repressivos: onde a associação é proibida, qualquer contagem pública seria incompleta e perigosa.
Por isso, estimativas populares de “cinco ou seis milhões de maçons no mundo” devem ser tratadas como ordem de grandeza histórica, não como total auditado em 2026.
Os maiores polos mundiais
Números institucionais verificáveis
| País ou universo | Número divulgado | Lojas | Referência temporal | Confiança e ressalva |
|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 869.429 | não consolidado na mesma tabela | 2023 | Alta para o universo MSANA; cada jurisdição pode contar filiação de modo diferente. |
| Brasil | cerca de 250.000 regulares | milhares | 2024 | Médio-alto; estimativa do GOB para o conjunto regular brasileiro. |
| UGLE: Inglaterra, País de Gales, ilhas e exterior | 170.000 | mais de 7.000 | página consultada em 2026 | Alta para a UGLE; não equivale a residentes apenas na Inglaterra e País de Gales. |
| França, cinco grandes obediências | cerca de 147.983 filiações | pelo menos 3.572 divulgadas, além da GLNF | 2023–2026 | Médio; soma institucional, com possível ultramar e filiação múltipla. |
| CMSB, Brasil | mais de 100.000 ativos | mais de 3.000 | página consultada em 2026 | Alta para as 27 Grandes Lojas estaduais confederadas; já está contida na estimativa brasileira. |
| GOB, Brasil | cerca de 76.000 | não informado no mesmo trecho | 2024 | Alta para a própria potência; já está contido no total brasileiro estimado. |
| Grande Oriente de França | 55.983 | cerca de 1.430 | 2025–2026 | Alta para o GODF. |
| Grande Loge Nationale Française | 32.000 | não informado na página-resumo | consulta em 2026 | Alta para a GLNF; a organização tem presença também fora da França metropolitana. |
| Grande Loge de France | 31.000 | cerca de 950 | 2025 | Alta para a GLDF. |
| Escócia | cerca de 27.000 | não informado no FAQ | consulta em 2026 | Médio-alto; número arredondado divulgado pela UGLE. |
| Itália, conjunto aproximado | cerca de 35.000 | mais de 1.300 em três correntes citadas | dado institucional reproduzido em 2017 | Médio-baixo por idade; mostra escala, não um censo atual. |
| Filipinas | 22.125 regulares pagantes; 27.417 filiações brutas | 446 | 24 de abril de 2025 | Alta para a Grande Loja das Filipinas; o relatório identifica 4.716 filiações plurais. |
| Irlanda | cerca de 20.000 | não informado no FAQ | consulta em 2026 | Médio-alto; inclui a jurisdição irlandesa e presença externa. |
| Turquia e Norte de Chipre | 18.000 | 272 | comunicado dos 115 anos, 2024 | Alta para a Grande Loja da Turquia. |
| Alemanha, federação VGLvD | mais de 15.000 | cinco Grandes Lojas federadas | consulta em 2026 | Médio-alto para a rede regular federada; não inclui necessariamente todas as correntes. |
| Droit Humain, Federação Francesa | mais de 15.000 | 740 | 2023 | Alta para a federação mista francesa. |
| Grande Loja Feminina da França | quase 14.000 | 452 | consulta em 2026 | Alta para a GLFF. |
| Argentina, principal Grande Loja | mais de 10.000 | 470 | 2023 | Médio-alto para a organização citada; não é censo de todas as obediências argentinas. |
| Nova Zelândia | 4.700 | 173 | 30 de junho de 2024 | Alta para a Freemasons New Zealand. |
| Israel | cerca de 1.000 | 56 ativas | páginas atualizadas em 2026 | Alta para a Grande Loja do Estado de Israel. |
| Líbano, apenas Distrito Escocês | total não publicado | 12 | diretório consultado em 2026 | Alta para lojas; incompleto para o país, que possui outras potências. |
O caso dos Estados Unidos
Os Estados Unidos são o único grande país com uma série histórica agregada longa e facilmente consultável. A MSANA registra:
- 4.103.161 membros em 1959, o maior total da série exibida;
- 1.841.169 em 2000;
- 1.010.595 em 2019;
- 869.429 em 2023.
Entre 1959 e 2023, a redução nominal foi de aproximadamente 79%. Isso não elimina a liderança mundial americana; mostra que o tamanho atual é herança de uma cultura associativa de massa do século XX, hoje muito menor.
A própria MSANA alerta que as jurisdições contam de formas diferentes e que filiações plurais podem ser repetidas. Além disso, nem todas as estatísticas históricas incorporam de maneira idêntica as Grandes Lojas Prince Hall, fundamentais para a história maçônica afro-americana. O número é o melhor agregado disponível, não uma contagem de identidade civil.
O caso brasileiro
O Brasil combina grande população, capilaridade municipal e três redes principais de maçonaria regular:
- Grande Oriente do Brasil (GOB): aproximadamente 76 mil membros no guia de visitação exterior de 2024;
- 27 Grandes Lojas estaduais ligadas à CMSB: mais de 100 mil membros ativos e mais de 3 mil lojas;
- Grandes Orientes estaduais autônomos ligados à COMAB: outra parcela relevante, sem total consolidado público localizado.
O mesmo guia do GOB estima cerca de 250 mil maçons regulares brasileiros quando as redes são consideradas em conjunto. É uma estimativa institucional plausível e útil, mas não um censo auditado de pessoas únicas. Correntes femininas, mistas, liberais e independentes podem elevar a presença real para além desse universo regular.
O caso francês
A França é talvez o melhor exemplo de por que “uma Grande Loja por país” não funciona como modelo universal. Cinco organizações grandes declaram:
- Grand Orient de France (GODF): 55.983 membros e cerca de 1.430 lojas;
- Grande Loge Nationale Française (GLNF): 32 mil;
- Grande Loge de France (GLDF): 31 mil e aproximadamente 950 lojas;
- Fédération Française du Droit Humain: mais de 15 mil e 740 lojas;
- Grande Loge Féminine de France (GLFF): quase 14 mil e 452 lojas.
A soma chega a aproximadamente 147.983 filiações antes de incluir outras obediências francesas. O número deve ser lido como um piso de filiações declaradas pelas maiores organizações, não como total exato de residentes franceses.
Países importantes sem total nacional robusto
| País | Por que é um polo | Por que não recebe um número fechado aqui |
|---|---|---|
| Canadá | Grandes Lojas provinciais antigas, rede Prince Hall e ampla capilaridade. | Não existe um relatório nacional recente único; a estrutura é provincial. |
| Austrália | Grandes Lojas por estado e território, com tradição histórica forte. | Os balanços são descentralizados e publicados em anos diferentes. |
| México | Muitas Grandes Lojas estaduais e tradições rivais; forte papel na história política mexicana. | Reconhecimento e territorialidade são fragmentados; somas encontradas não eram atuais e homogêneas. |
| Índia | Grande Loja nacional reconhecida e lojas ligadas historicamente às constituições britânicas. | Não foi localizado total nacional recente na página institucional consultada. |
| Argentina | Grande Loja nacional e presença histórica significativa na América do Sul. | Total atualizado e consolidado não foi localizado em fonte primária aberta. |
| África do Sul | Convivem constituições sul-africana, inglesa, escocesa e irlandesa. | Somar as jurisdições geraria sobreposição e anos incompatíveis. |
| Itália | Grandes organizações regulares e liberais, com mais de mil lojas em dados anteriores. | Os números públicos mais claros localizados são antigos; cerca de 35 mil é uma ordem de grandeza, não um total de 2026. |
Onde a maçonaria é mais presente
“Ter mais maçons” e “ter mais maçonaria” não são a mesma coisa. A presença pode ser medida por membros, lojas, capilaridade, diversidade de obediências, visibilidade pública, patrimônio ou influência histórica.
Por volume absoluto
- Estados Unidos.
- Brasil.
- Inglaterra/País de Gales e rede UGLE.
- França.
Por densidade e capilaridade
- Escócia e Irlanda: populações relativamente pequenas, números na casa das dezenas de milhares e redes históricas que se projetam para o exterior.
- Inglaterra e País de Gales: mais de 7 mil lojas no universo UGLE, ainda que parte esteja fora do território doméstico.
- França: extraordinária diversidade de modelos masculinos, femininos, mistos, teístas, laicos e adogmáticos.
- Brasil: presença em todas as unidades federativas e milhares de lojas, com três grandes famílias institucionais regulares.
- Estados Unidos: ao menos uma Grande Loja tradicional por estado, normalmente acompanhada por uma Grande Loja Prince Hall reconhecida ou em processo de reconhecimento.
- Turquia: 272 lojas em 24 cidades e no Norte de Chipre, uma concentração excepcional para o Oriente Médio.
- Líbano: quantidade de potências e lojas desproporcional ao tamanho do país, embora a fragmentação impeça um total confiável.
Por diversidade institucional
França, Brasil, Estados Unidos, México e Líbano são casos particularmente plurais. Essa diversidade é culturalmente rica, mas também produz disputas de reconhecimento. “Não reconhecida pela UGLE” pode significar apenas que uma organização segue outro modelo maçônico; “clandestina”, no vocabulário interno de algumas potências, também não é sinônimo automático de ilegal perante o Estado.
Países onde a maçonaria é proibida
Proibição expressa ou criminalização documentada
| País | Situação | Base e evidência | Grau de certeza |
|---|---|---|---|
| Jordânia | Atividades maçônicas expressamente proibidas. | A Lei das Sociedades nº 51/2008, com alterações de 2009, declara que atividades maçônicas são proibidas no Reino. O monitor jurídico da ICNL confirma a vigência da restrição. | Alto |
| Iraque | Promoção, filiação, apoio ou trabalho em favor de instituições maçônicas são crimes. | O artigo 201 do Código Penal nº 111/1969, em versão consolidada até 14 de março de 2010, nomeia a maçonaria. A suspensão da pena de morte pelo CPA Order 7 a substituiu por prisão perpétua; estudo jurídico iraquiano depositado em 2025 descreve o código como alterado e vigente. | Alto para a existência da norma; médio-alto para sua aplicação contemporânea. |
| Irã | Filiação criminalizada e integrantes perseguidos após 1979. | A Encyclopaedia Iranica registra que a filiação foi declarada crime; listas apreendidas foram usadas contra centenas de membros. A Grande Loja do Irã opera no exílio, em Los Angeles. | Alto para a repressão pós-1979; a formulação penal atual deve ser checada antes de uso jurídico. |
| Paquistão | Associação proibida e patrimônio confiscado em 1983. | A ordem de Zia-ul-Haq foi aplicada sob a Martial Law Regulation 56; fontes históricas contemporâneas e a imprensa paquistanesa documentam o ato. | Alto para a proibição de 1983; não foi localizada uma revogação posterior. |
| Egito | Lojas dissolvidas/fechadas em 1964; nenhuma rede pública regular verificada hoje. | O fechamento sob Nasser é consistentemente documentado. A repressão às associações ocorreu no contexto da Lei nº 32/1964. | Alto para o fato histórico; médio para descrever o mecanismo jurídico corrente como uma proibição nominal específica. |
Proibições históricas cuja situação atual exige ressalva
| País | Histórico | O que é possível afirmar em 2026 |
|---|---|---|
| Síria | Lojas foram proibidas pelo governo baathista em 1965. | Não foi localizada uma potência pública regular nem confirmação jurídica primária de como a antiga proibição foi tratada após a mudança política recente. Classificação: sem presença pública verificável, status legal incerto. |
| Itália fascista | A lei sobre associações de 1925 levou o Grande Oriente da Itália a dissolver suas lojas. | A proibição acabou com o fascismo; a maçonaria é legal e ativa hoje. Serve como exemplo de que uma proibição histórica não define o presente. |
| Alemanha nazista e territórios ocupados | Lojas foram fechadas e maçons perseguidos. | A maçonaria é legal e ativa na Alemanha atual. |
| Espanha franquista e Portugal salazarista | Regimes autoritários proibiram ou perseguiram organizações maçônicas. | Hoje há Grandes Lojas e outras obediências legais em ambos os países. |
| União Soviética e bloco oriental | Associações maçônicas independentes foram suprimidas. | A maçonaria foi restabelecida em vários países após 1989; Rússia e países do Leste possuem organizações reconhecidas, embora o ambiente associativo possa variar. |
Onde não há presença pública verificável
O que “não existe” pode significar
Há quatro situações diferentes:
- Não existe uma Grande Loja nacional, mas lojas estrangeiras podem funcionar.
- Não existe uma potência reconhecida por uma rede específica, mas há organizações de outra tradição.
- Não existe atividade pública legal, embora indivíduos ou círculos clandestinos possam existir.
- Não foi encontrada evidência, o que pode refletir falta de transparência, idioma, censura ou pesquisa incompleta.
Assim, esta pesquisa não declara nenhum país “livre de maçons”. Ela identifica lugares em que nenhuma loja pública, legal e verificável foi localizada.
Países e territórios de maior certeza prática
| Local | Situação responsável | Motivo principal |
|---|---|---|
| Coreia do Norte | Nenhuma presença pública verificável; organização independente praticamente impossível. | O Estado não permite sociedade civil autônoma. Não foi localizada lei nominal sobre maçonaria. |
| Afeganistão sob o Talibã | Nenhuma presença pública verificável; risco extremo. | Ausência de liberdade associativa e religiosa compatível com uma loja pública. |
| Arábia Saudita | Nenhuma loja pública legal verificável. | Controle severo sobre associações e prática religiosa não islâmica pública. Não foi localizada proibição legal que nomeie especificamente a maçonaria. |
| China continental | Nenhuma Grande Loja pública independente verificável. | Organizações sociais dependem de registro e supervisão estatal. A Grande Loja da China reconhecida internacionalmente foi reconstituída em Taipei, e Hong Kong possui lojas; portanto, a restrição deve ser descrita como continental. |
| Turcomenistão | Nenhuma presença pública verificável. | Ambiente extremamente restritivo para associações independentes. |
| Eritreia | Nenhuma presença pública verificável. | Sociedade civil e liberdade religiosa fortemente controladas. |
Estados do Golfo: ausência não é automaticamente proibição nominal
Nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã, não foi localizada uma rede pública regular comparável às de Turquia, Israel ou Líbano. Também não foi localizada, para todos eles, uma lei atual que diga literalmente “a maçonaria é proibida”. A classificação adequada é sem presença pública verificável ou legalmente segura, e não “comprovadamente inexistente”.
Relatos de reuniões privadas de expatriados, quando aparecem, não devem ser tratados como prova de lojas legais. Divulgar endereços ou identidades em ambientes restritivos seria irresponsável e potencialmente perigoso.
Dossiê do Oriente Médio e Norte da África
O conceito de Oriente Médio varia. Para tornar o mapa útil, a tabela inclui Levante, Península Arábica, Turquia, Irã, Egito e, como extensão MENA, Marrocos; Chipre e Cáucaso aparecem em nota.
Panorama país por país
| País/território | Situação em 2026 | Números verificáveis | Observações |
|---|---|---|---|
| Turquia | Ativa, pública e reconhecida em redes regulares. | 18.000 membros; 272 lojas; 24 cidades e Norte de Chipre. | É de longe o maior polo público da região. O número pertence à Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Turquia, não necessariamente a todas as correntes turcas. |
| Israel | Ativa, pública e reconhecida. | Cerca de 1.000 irmãos; 56 lojas ativas. | Lojas trabalham em nove idiomas; judeus, muçulmanos, cristãos e drusos participam da mesma jurisdição. |
| Líbano | Ativa e legal, porém muito fragmentada. | 12 lojas apenas no Distrito da Grande Loja da Escócia; total nacional indisponível. | Há outras Grandes Lojas e Grandes Orientes. Uma organização declara licença do Ministério do Interior desde 1936. Não somar alegações de reconhecimento sem checagem bilateral. |
| Jordânia | Proibida expressamente. | Zero lojas públicas legais verificadas. | A proibição aparece nominalmente na Lei das Sociedades. Existiram lojas na região antes da proibição. |
| Irã | Criminalizada/reprimida desde 1979; organização no exílio. | Antes da revolução: 43 lojas e aproximadamente 1.500–1.700 membros, conforme a Iranica. | A Grande Loja do Irã em exílio é sediada em Los Angeles e consta em listas de reconhecimento de Grandes Lojas americanas. |
| Egito | Fechada/dissolvida desde 1964; sem rede pública regular atual verificada. | Sem total atual. | Foi um centro maçônico importante no século XIX e início do XX. Sites contemporâneos que usam títulos egípcios não provam autorização estatal nem reconhecimento. |
| Síria | Sem presença pública verificável; status atual incerto. | Sem total atual. | Lojas funcionaram em Damasco e Homs; a proibição baathista de 1965 é histórica. |
| Iraque | Proibida pelo Código Penal; sem presença pública legal verificável. | Sem total atual. | O artigo 201 criminaliza promoção, ingresso e apoio; a versão consolidada consultada prevê prisão perpétua no lugar da antiga pena de morte. |
| Arábia Saudita | Sem presença pública legal verificável; impedimento de fato. | Sem total. | Restrições a associações independentes e culto não islâmico público tornam uma loja aberta inviável. |
| Emirados Árabes Unidos | Sem presença pública regular verificável. | Sem total. | Não confundir grupos privados de expatriados, clubes ou páginas sem carta patente verificável com uma loja legal. |
| Catar | Sem presença pública regular verificável. | Sem total. | Situação jurídica específica da maçonaria não foi localizada em fonte primária aberta. |
| Bahrein | Sem presença pública regular verificável. | Sem total. | A ausência nas listas de reconhecimento é pista, não prova de proibição. |
| Kuwait | Sem presença pública regular verificável. | Sem total. | Há forte controle associativo; não foi encontrada lei nominal antimaçônica nesta pesquisa. |
| Omã | Sem presença pública regular verificável. | Sem total. | Classificação de ausência pública, não afirmação de inexistência absoluta. |
| Iêmen | Sem presença pública verificável. | Sem total. | Guerra, fragmentação estatal e risco de segurança impedem uma conclusão jurídica uniforme. |
| Territórios Palestinos | Nenhuma Grande Loja nacional pública e reconhecida foi localizada. | Sem total. | A Palestina histórica teve lojas árabes e judaicas. A jurisdição israelense atual declara lojas dentro de Israel; a situação territorial e política exige descrição precisa. |
| Marrocos | Presença regular reconhecida. | Total público recente não localizado. | A UGLE lista a Grande Loja Regular do Reino de Marrocos; reconhecimento também foi aproximado de Israel em encontros maçônicos recentes. |
| Chipre | Presença legal e reconhecida. | Total não consolidado nesta pesquisa. | A Grande Loja de Chipre aparece na lista da UGLE; a Grande Loja turca inclui lojas no Norte de Chipre em seu próprio total. |
Três centros atuais
1. Turquia: o gigante regional
A Grande Loja da Turquia liga sua história institucional à fundação do Grande Oriente Otomano em 1909. No comunicado de 115 anos, a organização informou 18 mil membros em 272 lojas, espalhadas por 24 cidades turcas e pelo Norte de Chipre.
O número é notável por três razões:
- supera amplamente qualquer total público verificado no restante do Oriente Médio;
- representa média aproximada de 66 filiações por loja;
- demonstra continuidade de uma tradição otomana e republicana apesar de períodos de suspensão e forte pressão política ou religiosa.
Há mais de uma corrente maçônica turca; por isso, os 18 mil não devem ser descritos automaticamente como “todos os maçons da Turquia”. Ainda assim, é o melhor número institucional regional.
2. Israel: pequeno em membros, excepcional em diversidade
A Grande Loja do Estado de Israel foi fundada em 1953. Seu site atualizado informa cerca de 1.000 irmãos e 56 lojas ativas, de Nahariya a Eilat. A densidade média, perto de 18 membros por loja, sugere lojas relativamente pequenas ou um número de membros arredondado.
O aspecto mais singular é linguístico e religioso. As lojas trabalham em hebraico, árabe, inglês, francês, português, espanhol, romeno, turco e russo. A organização afirma reunir judeus, muçulmanos, cristãos e drusos. Seu selo institucional e sua comunicação apresentam essa coexistência como parte central da identidade local.
O simbolismo maçônico usa a narrativa da construção do Templo de Salomão, mas isso não transforma a maçonaria moderna em continuação arqueologicamente comprovada de uma ordem antiga de Jerusalém. A organização moderna documentada surge na Europa, e o Templo pertence ao repertório alegórico.
3. Líbano: pequeno país, ecossistema muito fragmentado
O Líbano é provavelmente o caso mais complexo da região. Apenas o Distrito da Grande Loja da Escócia publica agenda para 12 lojas em Beirut/El Fanar, Zahlé, Trípoli, Kfarhazir, Aley e outros locais. Sua história registra a Loja Palestine nº 415, autorizada em 1861, com cerca de 75 membros em 1868 espalhados pela então Grande Síria.
Além do distrito escocês, há organizações libanesas e lojas vinculadas a potências estrangeiras. O Grand Orient of Lebanon declara possuir licença do Ministério do Interior desde 1936; outras entidades mantêm sites, templos e atividades. Isso permite afirmar que a maçonaria é real, pública e plural no país, mas não calcular um total nacional honesto.
O próprio distrito escocês alerta para corpos regulares, não reconhecidos, irregulares e fraudulentos. Essa advertência é especialmente útil no Líbano: um site elegante, títulos grandiosos ou uma alegação de “reconhecimento por dezenas de países” não substituem a confirmação feita pela outra potência citada.
História regional em síntese
Império Otomano e Levante
As primeiras lojas no espaço otomano foram frequentemente formadas por diplomatas, comerciantes e comunidades europeias ou não muçulmanas. No século XIX, funcionários, intelectuais e reformistas otomanos também aderiram. Lojas funcionaram em Constantinopla, Esmirna, Salonica, Beirut, Damasco, Jaffa, Jerusalém, Haifa e Alexandria sob cartas inglesas, escocesas, francesas, italianas e de outras origens.
Isso ajuda a explicar duas leituras opostas que persistem:
- para adeptos, a loja era um espaço cosmopolita de sociabilidade, filantropia e circulação de ideias;
- para opositores, era uma rede estrangeira, secreta e potencialmente colonial.
Irã antes e depois de 1979
A Iranica registra experiências maçônicas persas desde meados do século XIX e uma expansão mais organizada a partir dos anos 1950. No fim dos anos 1970, a Grande Loja do Irã supervisionava 43 lojas e cerca de 1.500 membros; outro resumo da mesma obra fala em aproximadamente 1.700 no conjunto de lojas ligadas a tradições estrangeiras.
Depois da Revolução Islâmica, arquivos e listas de membros foram apreendidos. A filiação foi declarada crime; integrantes foram presos, afastados de cargos, tiveram bens sequestrados e, em alguns casos, foram executados. Sobreviventes reorganizaram a Grande Loja no exílio nos Estados Unidos. É um raro caso em que “Grande Loja de um país” existe institucionalmente, mas não atua dentro dele.
Egito, Síria, Jordânia e Iraque
O Egito foi um centro importante da maçonaria árabe e mediterrânea, com numerosas influências europeias e participação de elites locais. O governo de Gamal Abdel Nasser encerrou a atividade em 1964, no mesmo ambiente político que submeteu associações civis a forte controle estatal.
A Síria proibiu as lojas em 1965 sob o Baath. A Jordânia, por sua vez, oferece a proibição legal contemporânea mais explícita, conservada em sua Lei das Sociedades. No Iraque, o legado baathista permanece de forma literal no artigo 201 do Código Penal: a norma ainda menciona princípios e instituições maçônicas. Em todos esses casos, nacionalismo, receio de redes transnacionais, conflito árabe-israelense e teorias conspiratórias se misturaram.
Por que a maçonaria foi proibida em tantos lugares
1. Autoritarismo e associações independentes
Uma loja cria vínculos privados, elege dirigentes, mantém ritos próprios e conecta pessoas de diferentes profissões. Regimes autoritários tendem a desconfiar de qualquer associação que não controlem, seja maçônica, religiosa, sindical, estudantil ou partidária.
2. Associação histórica com potências estrangeiras
No Oriente Médio, muitas lojas receberam cartas de Londres, Edimburgo, Paris ou Roma. Mesmo quando seus membros eram locais, essa genealogia permitiu que opositores as apresentassem como instrumentos britânicos, franceses ou coloniais.
3. Antissemitismo e teorias conspiratórias
O repertório do Templo de Salomão, a presença de judeus em algumas lojas e falsificações como os “Protocolos dos Sábios de Sião” foram combinados em teorias que equiparam maçonaria, sionismo e controle mundial. A Encyclopaedia Iranica observa como essa visão ajudou a alimentar a perseguição no Irã. A equivalência é historicamente falsa: lojas variam radicalmente e, em Israel e Líbano, reúnem membros de religiões diferentes.
4. Conflito religioso
Correntes regulares exigem crença em um Ser Supremo, enquanto correntes liberais podem aceitar ateus e discutir questões sociais. Críticos religiosos frequentemente tratam todas como uma única doutrina. Em 1983, a Igreja Católica reafirmou que seus fiéis não podem pertencer a associações maçônicas; em 2023, o Vaticano reiterou a orientação. Isso é uma incompatibilidade doutrinal católica, não prova de que a maçonaria seja uma religião ou de que todos os Estados católicos a proíbam.
5. Escândalos reais usados para generalizações
Existiram organizações maçônicas envolvidas em escândalos políticos, sendo a loja italiana P2 o exemplo mais conhecido. Esses episódios justificam investigação de condutas concretas, mas não provam que todas as obediências de todos os países formem uma cadeia de comando mundial.
Curiosidades verificadas
- A maçonaria organizada moderna usa 1717 como marco, quando a primeira Grande Loja foi formada em Londres; as tradições de lojas escocesas documentadas são anteriores.
- Não há chefe mundial da maçonaria. Cada Grande Loja ou Grande Oriente é soberano e o reconhecimento é bilateral.
- Os Estados Unidos perderam cerca de quatro em cada cinco filiações desde o auge, mas permanecem na liderança absoluta.
- O Brasil pode ter mais maçons regulares que todo o universo atual da UGLE, segundo a estimativa de 250 mil do guia do GOB, embora as metodologias não sejam idênticas.
- A França tem organizações masculinas, femininas e mistas em escala de dezenas de milhares. Contar apenas a potência reconhecida pela UGLE apagaria a maior parte do cenário francês.
- A Turquia tem aproximadamente 18 vezes mais membros declarados que a Grande Loja de Israel. A comparação é institucional, não uma medida de influência política.
- Israel trabalha oficialmente em nove idiomas, inclusive árabe, português, turco e russo.
- Uma única corrente libanesa lista 12 lojas públicas, mais do que muitos países pequenos possuem no total.
- A Loja Palestine nº 415, de Beirut, tinha cerca de 75 membros em 1868, espalhados pela Grande Síria.
- A Grande Loja do Irã existe no exílio. Listas americanas de reconhecimento indicam sua sede em Los Angeles.
- A Jordânia nomeia a maçonaria na própria lei de associações, algo mais explícito que as restrições genéricas usadas em vários países.
- A Grande Loja da China reconhecida pela UGLE fica em Taipei. Hong Kong também tem tradição maçônica; qualquer mapa precisa separar China continental, Hong Kong e Taiwan.
- Cuba possui maçonaria ativa, apesar do regime comunista. Isso demonstra que ideologia do Estado, sozinha, não permite deduzir presença ou ausência.
- “Sociedade secreta” é uma descrição incompleta. Muitas potências publicam endereço, diretório de lojas, dirigentes, relatórios e formulários de ingresso; o que preservam são partes do ritual e dados de membros.
- O Templo de Salomão é uma alegoria central, não evidência de uma linha institucional contínua desde a Antiguidade.
Mitos e afirmações que devem ser evitados
| Afirmação | Problema | Formulação segura |
|---|---|---|
| “Existem exatamente seis milhões de maçons.” | Não há censo global, e o número circula há décadas sem base comum atual. | “Estimativas globais variam; totais nacionais recentes confirmam pelo menos grandes comunidades, mas não um total mundial exato.” |
| “A UGLE manda em toda a maçonaria.” | Ela é influente e historicamente central, mas não governa outras Grandes Lojas soberanas. | “A UGLE mantém uma das principais redes de reconhecimento regular.” |
| “Se não está na lista da UGLE, não é maçonaria.” | Exclui tradições liberais, femininas, mistas e organizações reconhecidas por outras redes. | “Não é reconhecida pela UGLE; sua legalidade e tradição precisam ser avaliadas separadamente.” |
| “Não existe maçonaria em país X.” | Atividade privada ou clandestina é impossível de excluir. | “Não foi localizada presença pública, legal e verificável.” |
| “Todo país muçulmano proíbe maçonaria.” | Turquia, Líbano, Marrocos e outros casos refutam a generalização. | “O status varia por país e por regime jurídico.” |
| “Maçonaria é sionismo.” | Confunde tradições, religiões e contextos históricos diferentes. | “O simbolismo salomônico é alegórico; lojas incluem pessoas de várias religiões e nacionalidades.” |
| “Vaticano prende maçons.” | Confunde disciplina eclesiástica com direito penal estatal. | “A Igreja Católica proíbe seus fiéis de aderirem a associações maçônicas.” |
Recomendações práticas
Para construir um mapa acadêmico confiável
- Registrar organização, território, ano, membros e lojas em colunas separadas.
- Manter três mapas paralelos: presença pública, reconhecimento maçônico e legalidade estatal.
- Não somar Grandes Lojas sem verificar se os números incluem filiação plural ou territórios externos.
- Confirmar reconhecimento nos dois sentidos; a alegação de uma organização sobre si mesma não basta.
- Para proibições, citar o texto legal ou estudo jurídico, distinguindo lei atual de evento histórico.
- Atualizar números anualmente, pois várias organizações enfrentam redução, fusão de lojas ou retomada de recrutamento.
- Não publicar nomes, locais privados ou contatos de supostos membros em países repressivos.
Prioridades para uma segunda fase quantitativa
Uma continuação poderia solicitar diretamente os anuários de todas as Grandes Lojas do Canadá e Austrália, consolidar os estados mexicanos, separar lojas Prince Hall nos Estados Unidos e reunir balanços das obediências brasileiras e francesas. Essa etapa permitiria um ranking mais amplo, mas ainda precisaria apresentar intervalos em vez de falsa precisão.
Conclusão
Os Estados Unidos são o país com mais maçons em números absolutos confirmados. Brasil, Inglaterra/País de Gales e França formam o segundo grande conjunto mundial, cada qual com um problema estatístico diferente: estimativa federada, presença ultramarina e pluralidade de obediências. Escócia, Irlanda, Filipinas, Turquia, Itália e países federados como Canadá e Austrália completam o mapa de forte presença, mas não cabem num ranking rigoroso com os dados públicos atuais.
No Oriente Médio, a maçonaria não é um fenômeno uniforme nem inexistente. Turquia é um gigante regional com 18 mil membros; Israel mantém 56 lojas e cerca de mil membros em nove idiomas; o Líbano abriga um ecossistema legal, antigo e excepcionalmente fragmentado. Do outro lado, a Jordânia possui proibição legal expressa, o Código Penal iraquiano criminaliza promoção, ingresso e apoio, o Irã criminalizou e perseguiu membros após 1979, o Paquistão baniu a associação em 1983 e o Egito encerrou suas lojas em 1964.
A resposta mais importante para “onde não existe maçonaria” é, portanto, negativa: não é possível demonstrar inexistência absoluta. É possível demonstrar ausência de lojas públicas, proibição expressa, repressão histórica ou inviabilidade associativa. Manter essas categorias separadas produz um mapa menos sensacionalista e muito mais útil.
Fontes consultadas
Números e presença mundial
- MSANA — totais históricos de membros nos Estados Unidos
- MSANA — observações sobre diferenças entre estatísticas jurisdicionais
- UGLE — estrutura, 170 mil membros e mais de 7 mil lojas
- UGLE — perguntas frequentes e números de Escócia, Irlanda e maçonaria feminina
- UGLE — Grandes Lojas estrangeiras reconhecidas e definição de reconhecimento
- Grande Oriente do Brasil — Guia de Visitação ao Exterior, 2ª edição, 2024
- CMSB — 27 Grandes Lojas, mais de 3 mil lojas e mais de 100 mil membros
- Grand Orient de France — números de 2025–2026
- Grande Loge de France — mensagem institucional e números
- Grande Loge Nationale Française — apresentação institucional
- Grande Loge Féminine de France — apresentação e números
- Droit Humain França — mais de 15 mil membros e 740 lojas
- Grande Oriente da Itália — história e números institucionais de referência
- Grande Loja das Filipinas — FAQ com membros e lojas
- Grande Loja das Filipinas — relatórios anuais
- Relatório do Grão-Mestre das Filipinas 2024–2025 — filiações e 446 lojas
- VGLvD — federação das cinco Grandes Lojas regulares da Alemanha
- Grande Loja da Argentina — mais de 10 mil membros e 470 lojas
- Freemasons New Zealand — relatório anual 2023–2024
Oriente Médio
- Grande Loja da Turquia — 18 mil membros e 272 lojas
- Grande Loja do Estado de Israel — apresentação
- Grande Loja do Estado de Israel — cerca de mil membros e diversidade religiosa e linguística
- Grande Loja do Estado de Israel — 56 lojas ativas e nove idiomas
- Distrito da Grande Loja da Escócia no Líbano — página institucional
- Distrito Escocês do Líbano — agenda pública de 12 lojas
- Distrito Escocês do Líbano — história das lojas desde 1861
- Distrito Escocês do Líbano — regular, não reconhecida, irregular e clandestina
- Grand Orient of Lebanon — alegação de licença legal desde 1936
- Grande Loja de Washington DC no Líbano — três lojas
- Encyclopaedia Iranica — introdução e dimensão histórica da maçonaria iraniana
- Encyclopaedia Iranica — maçonaria no período Pahlavi
- Encyclopaedia Iranica — repressão após a Revolução de 1979
- Grande Loja da Pensilvânia — lista de reconhecimento, incluindo Irã no exílio
Leis, restrições e religião
- Governo da Jordânia — Lei das Sociedades nº 51/2008
- ICNL — tradução da Lei das Sociedades da Jordânia
- ICNL — monitor de liberdade cívica da Jordânia
- WIPO Lex — Código Penal do Iraque nº 111/1969
- Código Penal iraquiano em inglês, consolidado até 14 de março de 2010
- Universidade de Thi-Qar — estudo de 2025 sobre o artigo 201 em vigor
- UPI, 1983 — proibição e confisco de bens maçônicos no Paquistão
- Dawn — história das lojas e da proibição no Paquistão
- OpenEdition — Lei de Associações egípcia nº 32/1964 e controle estatal
- USCIRF — liberdade religiosa na Arábia Saudita
- Freedom House — Arábia Saudita, relatório de 2026
- Ministério da Justiça da China — regulamento de registro de organizações sociais
- Amnesty International — Coreia do Norte
- Vaticano — Declaração sobre associações maçônicas, 1983
- Vaticano — resposta sobre maçonaria, 2023
Nota sobre atualidade
Pesquisa concluída em 1º de agosto de 2026. Números de membros, relações de reconhecimento e situações jurídicas podem mudar. Antes de decisões acadêmicas, jornalísticas, jurídicas ou pessoais, confirme a informação na legislação e nos anuários mais recentes da organização correspondente.
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