Compilado por Pablo Murad — 2026
Este catálogo não é uma lista de “substitutos do Windows”. A ideia aqui é outra: reunir sistemas operacionais, ambientes de programação, máquinas virtuais, fantasy consoles e programas que parecem ter sido feitos por gente que olhou para a computação moderna e pensou: “e se tudo pudesse ser diferente?”.
TempleOS entra nessa família porque não é apenas um sistema operacional: é uma visão pessoal completa. A lista abaixo segue esse critério: projetos com filosofia própria, estética própria, modelo mental próprio ou algum grau de insanidade criativa saudável.
Leitura rápida: melhores para começar
Se você quer sentir rapidamente esse universo sem perder três dias compilando coisa esquisita:
- PICO-8 — melhor porta de entrada para “computador imaginário”.
- Uxn / Varvara — pequeno, elegante, permacomputação, estética hacker-artesanal.
- Squeak / Smalltalk — ambiente vivo, tudo é objeto, tudo pode ser inspecionado.
- Haiku — desktop alternativo bonito e relativamente usável.
- Plan 9 / 9front — para entender o “Unix que poderia ter sido outra coisa”.
- Oberon — minimalismo acadêmico extremo: linguagem + OS + computador.
- SerenityOS — amor por interfaces dos anos 90, feito do zero.
- Orca — livecoding musical esotérico em grade de texto.
- Collapse OS — computação pós-colapso, feito para hardware reaproveitado.
- Mezzano — sistema operacional em Common Lisp, para quem quer brincar com Lisp Machines modernas.
1. Sistemas operacionais completos ou quase completos
1. TempleOS
Tipo: sistema operacional autoral completo
Autor: Terry A. Davis
Ideia central: um “templo digital” programável, com linguagem própria, editor próprio, shell próprio e estética própria.
TempleOS é o ponto de referência. Ele combina kernel, compilador, shell, editor, documentação, jogos e linguagem própria em uma coisa só. Não é POSIX, não é Unix-like, não quer ser Linux. A peculiaridade está justamente nisso: é um computador pessoal alternativo, quase como um Commodore 64 espiritualizado em 64-bit.
Por que é criativo/maluco:
- Tudo é integrado.
- Usa HolyC, uma linguagem própria parecida com C.
- Roda tudo em ring 0.
- Não tem rede.
- Tem limitações estéticas deliberadas: 640×480, 16 cores, som simples.
- Mistura programação recreativa, sistema operacional, religião, arte outsider e diário mental.
Vale testar? Sim, mas em VM. Não espere produtividade. Espere estranhamento.
Links:
- Site/arquivos: https://templeos.org/
- Contexto geral: https://en.wikipedia.org/wiki/TempleOS
2. ZealOS
Tipo: fork modernizado do TempleOS
Ideia central: preservar e modernizar o ambiente TempleOS sem depender da obra original parada no tempo.
ZealOS é provavelmente a forma mais prática de experimentar algo próximo de TempleOS hoje. Ele mantém HolyC e a estética geral, mas adiciona melhorias, correções e manutenção comunitária.
Por que é criativo/maluco:
- É TempleOS pós-Terry Davis.
- Mantém a ideia de transparência e controle total do usuário.
- Continua usando HolyC.
- Tenta tornar um sistema extremamente pessoal em algo comunitário.
Vale testar? Sim. Se você gostou de TempleOS mas quer algo menos arqueológico, comece aqui.
Links:
3. Plan 9 from Bell Labs
Tipo: sistema operacional de pesquisa
Origem: Bell Labs, criado por pessoas ligadas ao Unix original
Ideia central: levar a filosofia “tudo é arquivo” muito mais longe que o Unix.
Plan 9 é um sistema que parece familiar por fora, mas estranho por dentro. Ele trata recursos locais e remotos de maneira uniforme usando o protocolo 9P. A ideia não é apenas ter arquivos, processos e rede; a ideia é que rede, janelas, dispositivos e serviços possam ser expostos como árvores de arquivos.
Por que é criativo/maluco:
- É o “e se o Unix tivesse evoluído de outro jeito?”.
- Interface
riominimalista e incomum. - Uso sério de namespaces por processo.
- Protocolo 9P como cola universal.
- Design distribuído desde a base.
Vale testar? Sim, mas é esquisito. Se você entrar esperando Linux, vai sofrer. Se entrar como arqueologia viva de sistemas, é ouro.
Links:
- Plan 9: https://9p.io/plan9/
- Wiki: https://plan9.io/wiki/plan9/plan_9_wiki/
4. 9front
Tipo: fork comunitário do Plan 9
Ideia central: manter Plan 9 vivo, usável e com espírito hacker.
9front é a continuação mais ativa e punk do Plan 9. É Plan 9 com atitude: documentação seca, humor ácido, arte ASCII, ferramentas próprias e comunidade pequena mas intensa.
Por que é criativo/maluco:
- Mantém viva uma linhagem alternativa ao Unix/Linux.
- Tem uma cultura própria muito forte.
- É minimalista, distribuído e anti-mainstream.
- Parece um sistema operacional vindo de uma timeline paralela.
Vale testar? Sim. Melhor que Plan 9 original para brincar hoje.
Links:
- Site: http://9front.org/
- Lista de recursos: https://github.com/henesy/awesome-plan9
5. Inferno
Tipo: sistema operacional distribuído / VM / ambiente de execução
Origem: Bell Labs / Vita Nuova
Ideia central: aplicações distribuídas portáveis, com linguagem própria chamada Limbo.
Inferno é parente espiritual do Plan 9, mas com uma pegada de máquina virtual e portabilidade. Ele pode rodar nativamente ou hospedado dentro de outros sistemas. A linguagem Limbo compila para uma representação portátil executada pela máquina virtual Dis.
Por que é criativo/maluco:
- Parece um Java alternativo feito por gente de sistemas operacionais.
- Usa Styx/9P para recursos locais e remotos.
- Tem linguagem própria.
- Pode rodar sobre outros sistemas ou direto no hardware.
- Mistura OS, VM e sistema distribuído.
Vale testar? Sim, se você gosta de Plan 9 e sistemas distribuídos. Para uso comum, não.
Links:
- Documentação: https://inferno-os.com/inferno/docs.html
- Contexto: https://en.wikipedia.org/wiki/Inferno_(operating_system)
6. Oberon / Project Oberon
Tipo: linguagem + sistema operacional + estação de trabalho conceitual
Autores: Niklaus Wirth e Jürg Gutknecht
Ideia central: reduzir o computador inteiro a um sistema compreensível por uma pessoa.
Oberon é uma aula de minimalismo. Não é só uma linguagem. É um sistema operacional e uma filosofia de design. O projeto é descrito no livro Project Oberon: The Design of an Operating System, a Compiler, and a Computer.
Por que é criativo/maluco:
- Sistema operacional escrito na própria linguagem Oberon.
- Interface textual/visual incomum, sem parecer terminal tradicional.
- Minimalismo extremo.
- O sistema inteiro é pequeno o bastante para ser estudado.
- É quase uma anti-tese da complexidade moderna.
Vale testar? Sim, principalmente se você gosta de compiladores, linguagens e sistemas minimalistas.
Links:
- Project Oberon: https://www.projectoberon.net/
- Recursos Oberon: https://oberon.org/en
7. Squeak / Smalltalk
Tipo: ambiente Smalltalk vivo
Ideia central: o sistema inteiro é um mundo de objetos modificável em tempo real.
Squeak não é exatamente um sistema operacional convencional, mas é um ambiente computacional completo o bastante para entrar nesta lista. No Smalltalk clássico, você não “executa programas” como no Unix; você vive dentro de uma imagem persistente cheia de objetos, janelas, ferramentas, classes e métodos que podem ser inspecionados e alterados ao vivo.
Por que é criativo/maluco:
- Tudo é objeto.
- O ambiente é vivo e persistente.
- Você modifica o sistema enquanto ele roda.
- A fronteira entre IDE, runtime e aplicação é borrada.
- É uma das experiências mais diferentes para quem só conhece VS Code + terminal.
Vale testar? Muito. É uma das melhores formas de entender que “computação” não precisa parecer Unix.
Links:
- Site: https://squeak.org/
- Squeak no MIT: https://web.mit.edu/squeak/www/
8. Pharo
Tipo: ambiente Smalltalk moderno
Ideia central: Smalltalk vivo, mas com comunidade e ferramentas mais modernas.
Pharo nasceu como descendente de Squeak e virou um ecossistema próprio. É mais limpo, mais moderno e mais voltado para desenvolvimento atual.
Por que é criativo/maluco:
- Mantém a ideia de imagem viva.
- Permite inspecionar e alterar praticamente tudo.
- É uma linguagem e ambiente integrados.
- Tem uma sensação de “sistema operacional dentro do sistema operacional”.
Vale testar? Sim. Para brincar com Smalltalk hoje, talvez seja até mais acessível que Squeak.
Links:
- Site: https://pharo.org/
9. Mezzano
Tipo: sistema operacional em Common Lisp
Ideia central: uma Lisp Machine moderna feita como hobby OS.
Mezzano é um sistema operacional escrito em Common Lisp. Isso por si só já é lindo e meio absurdo. Ele se inspira nas antigas Lisp Machines, onde linguagem, sistema, editor e ambiente eram uma coisa integrada.
Por que é criativo/maluco:
- Sistema operacional em Common Lisp.
- Desenvolvimento ao vivo.
- Inspiração direta nas Lisp Machines.
- Ambição de ser um ambiente Lisp completo, não só um kernelzinho educativo.
Vale testar? Sim, se você gosta de Lisp. Não é para usuário comum.
Links:
- GitHub: https://github.com/froggey/Mezzano
- Contexto: https://archiveos.org/mezzano/
10. Genera / Lisp Machines
Tipo: sistema operacional/ambiente histórico das Lisp Machines
Ideia central: um computador inteiro feito para Lisp.
As Lisp Machines foram estações de trabalho nas quais o sistema operacional, ambiente gráfico, editor, depurador e aplicações eram profundamente integrados com Lisp. O Symbolics Genera é o exemplo lendário.
Por que é criativo/maluco:
- Desenvolvimento interativo extremo.
- Debugger e sistema integrados em nível absurdo.
- Programas podiam ser inspecionados, alterados e continuados ao vivo.
- Mostra uma computação que perdeu espaço quando Unix venceu.
Vale testar? Sim, via emuladores, se você tiver paciência. É mais museu vivo do que ferramenta prática.
Links:
- Contexto geral: https://en.wikipedia.org/wiki/Lisp_machine
- Open Genera: https://en.wikipedia.org/wiki/Open_Genera
11. Haiku
Tipo: sistema operacional desktop inspirado no BeOS
Ideia central: continuar o BeOS como um desktop rápido, limpo e elegante.
Haiku é o herdeiro open source do BeOS. Não é “maluco” no sentido caótico; é criativo porque preserva uma visão alternativa de desktop: responsivo, limpo, multimídia, com personalidade e sem tentar virar Linux.
Por que é criativo/maluco:
- Não é Linux.
- Tem herança BeOS.
- Interface própria: Tracker e Deskbar.
- Sensação de desktop alternativo real, não só skin.
- Ainda está em beta, mas é testável.
Vale testar? Sim. É um dos mais agradáveis desta lista.
Links:
12. SerenityOS
Tipo: sistema operacional desktop feito do zero
Ideia central: um Unix-like autoral com estética de desktop dos anos 90.
SerenityOS é uma carta de amor às interfaces dos anos 90. O projeto tem kernel, bibliotecas, navegador, aplicações, desktop e ferramentas próprias. Ele não é uma distro Linux; é um sistema operacional construído do zero.
Por que é criativo/maluco:
- Estética Windows 95/Unix desktop retrô.
- Kernel próprio.
- Browser próprio, que depois deu origem ao Ladybird como projeto separado.
- Ferramentas e apps próprios.
- Forte personalidade visual e técnica.
Vale testar? Sim, especialmente em VM. É bonito, educativo e ambicioso.
Links:
13. Redox OS
Tipo: sistema operacional em Rust
Ideia central: microkernel moderno, Unix-like, com foco em segurança e confiabilidade.
Redox não é “maluco” esteticamente, mas é conceitualmente interessante: um sistema operacional completo escrito em Rust, com microkernel e ambição de ser uma alternativa real a Linux/BSD.
Por que é criativo/maluco:
- Rust no nível do sistema operacional.
- Microkernel.
- Busca compatibilidade suficiente para ser útil.
- Mostra uma linha moderna de OS experimental que não é retrô.
Vale testar? Sim, se você gosta de Rust e OS dev. Como desktop diário, ainda não.
Links:
- Site: https://redox-os.org/
14. KolibriOS
Tipo: sistema operacional minúsculo em Assembly
Ideia central: um desktop gráfico inteiro cabendo em pouquíssimo espaço.
KolibriOS é uma continuação/fork espiritual do MenuetOS. A insanidade aqui é eficiência: um sistema gráfico com apps, jogos, rede e interface cabendo em poucos megabytes.
Por que é criativo/maluco:
- Escrito majoritariamente em Assembly FASM.
- Roda com pouquíssima RAM.
- Tem desktop gráfico.
- Cabe em imagem de floppy/pequenas imagens.
- É o oposto da obesidade moderna de software.
Vale testar? Sim. É divertido e rápido. Não espere conforto moderno.
Links:
15. MenuetOS
Tipo: sistema operacional em Assembly
Ideia central: sistema gráfico extremamente pequeno e rápido.
MenuetOS é um dos projetos clássicos de OS em Assembly. Parte dele seguiu um caminho proprietário; KolibriOS nasceu como alternativa livre.
Por que é criativo/maluco:
- Assembly puro como escolha estética/técnica.
- Interface gráfica mínima.
- Desempenho e tamanho como obsessão.
- Excelente para ver até onde dá para levar um OS enxuto.
Vale testar? Sim, como curiosidade técnica.
Links:
16. AROS
Tipo: reimplementação livre da API do AmigaOS
Ideia central: preservar e evoluir o espírito Amiga.
AROS tenta ser compatível com AmigaOS em nível de API, como um “Wine para AmigaOS”, mas como sistema operacional. Ele é leve, flexível e carrega uma visão de desktop muito diferente do padrão Windows/Linux/macOS.
Por que é criativo/maluco:
- Mantém viva a cultura Amiga.
- Não tenta ser Unix.
- Pode rodar de formas diferentes, inclusive hospedado.
- O ecossistema Amiga sempre teve uma estética e lógica próprias.
Vale testar? Sim, se você tem curiosidade por Amiga. Caso contrário, pode parecer alienígena e datado.
Links:
- Site: https://aros.sourceforge.io/
- Introdução: https://aros.org/introduction/
17. Icaros Desktop
Tipo: distribuição/ambiente baseado em AROS
Ideia central: tornar AROS mais acessível como desktop pronto.
Icaros é uma forma mais amigável de experimentar AROS. Ele empacota o sistema com aplicativos, ambiente e extras para facilitar a vida.
Por que é criativo/maluco:
- Amiga moderno-ish.
- Desktop alternativo real.
- Cultura retrô forte.
- Bom para retrocomputação e jogos/demos.
Vale testar? Sim, mas leia documentação antes. Não é intuitivo para quem nunca viu Amiga.
Links:
18. ReactOS
Tipo: sistema operacional compatível com Windows NT
Ideia central: reimplementar Windows de forma livre.
ReactOS é maluco por ambição: construir um sistema livre compatível com drivers e aplicações Windows. É diferente de Wine porque quer ser o próprio sistema operacional.
Por que é criativo/maluco:
- Tenta recriar uma plataforma Windows NT livre.
- Projeto enorme e difícil.
- Útil como estudo de compatibilidade.
- Às vezes roda programas Windows antigos de forma surpreendente.
Vale testar? Sim, em VM. Não use para produção.
Links:
- Site: https://reactos.org/
19. NixOS
Tipo: distribuição Linux declarativa e reprodutível
Ideia central: o sistema inteiro definido por configuração declarativa.
NixOS é Linux, então não é “outro universo” no mesmo nível de Plan 9. Mas ele muda drasticamente o modelo mental: o sistema não é uma pilha de alterações manuais; ele é uma declaração reprodutível.
Por que é criativo/maluco:
- Configuração declarativa do sistema inteiro.
- Rollbacks fáceis.
- Ambientes reprodutíveis.
- Pacotes isolados por hash.
- Perfeito para quem gosta de infra como código.
Vale testar? Sim, e para você especificamente vale muito, porque conversa com servidores, automação e reprodutibilidade. Mas a curva de aprendizado é real.
Links:
- Site: https://nixos.org/
20. Guix System
Tipo: distribuição GNU declarativa baseada em Guile/Scheme
Ideia central: sistema operacional e gerenciador de pacotes definidos em Scheme.
Guix é primo filosófico do Nix, mas com Scheme no centro e compromisso forte com software livre. É um sistema onde configuração, pacotes e serviços são programáveis.
Por que é criativo/maluco:
- Usa Guile/Scheme para definir o sistema.
- Fortemente declarativo.
- Reprodutível.
- Mistura sistema operacional e linguagem funcional.
- Tem um rigor ideológico GNU forte.
Vale testar? Sim, se você gosta de Lisp/Scheme ou quer entender outro caminho para infra declarativa.
Links:
- Site: https://guix.gnu.org/
21. Collapse OS
Tipo: sistema pós-colapso / bootstrap OS
Ideia central: permitir reconstruir computação a partir de peças reaproveitadas, sem internet e com ferramentas simples.
Collapse OS é um dos projetos mais conceitualmente fortes desta lista. Ele foi pensado para um mundo onde a cadeia industrial que produz computadores modernos colapsou. A ideia é ter ferramentas para programar microcontroladores, ler/escrever armazenamento e se auto-hospedar em hardware simples.
Por que é criativo/maluco:
- Computação pós-apocalíptica.
- Foco em Z80 e hardware reaproveitado.
- Auto-hospedagem.
- Baixa dependência de infraestrutura moderna.
- Filosofia de resiliência tecnológica.
Vale testar? Sim, como estudo. Como ferramenta cotidiana, não.
Links:
- Site: https://collapseos.org/
22. Dusk OS
Tipo: sucessor/continuação do Collapse OS
Ideia central: computação resiliente em Forth para máquinas pequenas.
Dusk OS evolui ideias do Collapse OS com foco em Forth e ambientes pequenos. É menos “desktop” e mais “kit de sobrevivência computacional”.
Por que é criativo/maluco:
- Forth como base.
- Auto-hospedagem.
- Pensamento de longo prazo e baixa tecnologia.
- Excelente para permacomputação e retrocomputação séria.
Vale testar? Sim, se você gosta de Forth, hardware antigo ou computação resiliente.
Links:
- Site: https://duskos.org/
2. Máquinas virtuais, fantasy consoles e computadores imaginários
23. Uxn / Varvara
Tipo: máquina virtual pequena + plataforma pessoal
Autores/ecossistema: Hundred Rabbits
Ideia central: uma VM simples e portável para ferramentas e jogos pequenos.
Uxn é lindo. É uma máquina virtual minimalista, programável em Uxntal, feita para durar, ser portada facilmente e hospedar pequenos programas gráficos. Varvara é o conjunto de dispositivos ao redor da VM.
Por que é criativo/maluco:
- VM minimalista.
- Foco em durabilidade e portabilidade.
- Estética artesanal/permacomputing.
- Pequenos apps gráficos.
- Comunidade criativa e artística.
Vale testar? Muito. É uma das coisas mais interessantes da computação indie atual.
Links:
- Uxn: https://wiki.xxiivv.com/site/uxn.html
- Awesome Uxn: https://github.com/hundredrabbits/awesome-uxn
24. PICO-8
Tipo: fantasy console
Ideia central: um console imaginário com limitações fixas para criar jogos pequenos.
PICO-8 é como se um videogame retrô tivesse sido inventado agora. Ele tem editor de código, sprite editor, map editor, sound editor e cartuchos virtuais. As limitações são parte do charme.
Por que é criativo/maluco:
- Console fictício, mas funcional.
- Limitações de resolução, cores, tokens e cartucho.
- Ferramentas integradas.
- Comunidade enorme de jogos pequenos.
- Excelente para prototipar ideias.
Vale testar? Sim. É provavelmente a melhor entrada para esse mundo.
Links:
25. TIC-80
Tipo: fantasy computer / fantasy console livre
Ideia central: semelhante ao PICO-8, mas open source e com várias linguagens.
TIC-80 oferece um computador imaginário para criar, jogar e compartilhar pequenos jogos. Tem sprites, mapas, sons e código integrados.
Por que é criativo/maluco:
- Open source.
- Suporta várias linguagens.
- Estética fantasy console.
- Bom para educação, jams e jogos curtos.
Vale testar? Sim. Se quiser alternativa livre ao PICO-8, comece aqui.
Links:
- Site: https://tic80.com/
- GitHub: https://github.com/nesbox/TIC-80
26. LIKO-12
Tipo: fantasy computer
Ideia central: computador imaginário inspirado em PICO-8, programável em Lua.
LIKO-12 é menos famoso, mas segue a mesma tradição: uma máquina fictícia para criação de jogos e experimentos.
Por que é criativo/maluco:
- Mais um computador imaginário.
- Lua como linguagem.
- Bom para brincar com restrições artificiais.
Vale testar? Sim, como curiosidade.
Links:
27. WASM-4
Tipo: fantasy console baseado em WebAssembly
Ideia central: fazer jogos pequenos usando WebAssembly como plataforma de cartucho.
WASM-4 é interessante porque une o espírito fantasy console com uma tecnologia moderna e portável: WebAssembly.
Por que é criativo/maluco:
- Cartuchos WebAssembly.
- Suporta várias linguagens que compilam para WASM.
- Limitações de console imaginário.
- Pode rodar no navegador.
Vale testar? Sim, especialmente se você gosta de Rust, AssemblyScript, Zig ou C.
Links:
- Site: https://wasm4.org/
- GitHub: https://github.com/aduros/wasm4
3. Ambientes criativos de programação e arte computacional
28. Orca
Tipo: linguagem esotérica / livecoding sequencer
Autor/ecossistema: Hundred Rabbits
Ideia central: uma grade de caracteres onde letras viram operadores musicais/temporais.
Orca parece um ritual hacker para música procedural. Você edita uma grade de texto; cada caractere é uma operação; o resultado controla MIDI, OSC ou UDP. Ele não é sintetizador: é um ambiente de composição e controle.
Por que é criativo/maluco:
- Código como partitura visual.
- Letras viram operações.
- Excelente para livecoding.
- Mistura texto, tempo e música.
- Parece um sequencer vindo de outro planeta.
Vale testar? Sim. Mesmo que você não faça música, vale abrir para entender.
Links:
29. Pure Data
Tipo: linguagem visual de programação em tempo real
Autor: Miller Puckette
Ideia central: construir áudio, música e multimídia ligando blocos visuais.
Pure Data é um ambiente visual para música, arte interativa, instalações, síntese, sensores e experimentos multimídia. É livre e muito usado por artistas e músicos experimentais.
Por que é criativo/maluco:
- Programação por patch visual.
- Tempo real.
- Muito usado em arte sonora.
- Você literalmente conecta caixas para criar sistemas.
- Parece eletrônica modular em software.
Vale testar? Sim, se você gosta de áudio, arte digital ou interação.
Links:
- Site: https://puredata.info/
- GitHub: https://github.com/pure-data/pure-data
30. Max / MSP / Jitter
Tipo: ambiente visual comercial para música, vídeo e multimídia
Empresa: Cycling '74
Ideia central: criar instrumentos, instalações e sistemas interativos por patches.
Max é o primo comercial e muito polido do mundo visual/audio. MSP é a parte de áudio/síntese; Jitter é vídeo/gráficos. É usado em música experimental, instalações, performances e prototipagem audiovisual.
Por que é criativo/maluco:
- Programação como diagrama vivo.
- Muito forte em performance ao vivo.
- Integra áudio, MIDI, vídeo e sensores.
- Ecossistema profissional.
Vale testar? Sim, se você aceita software pago. Para gratuito, vá de Pure Data.
Links:
31. SuperCollider
Tipo: linguagem/ambiente para síntese sonora e composição algorítmica
Ideia central: programar som em alto nível com um servidor de áudio poderoso.
SuperCollider é um monstro elegante para áudio generativo, síntese, instalações e livecoding. Ele separa linguagem cliente e servidor de áudio.
Por que é criativo/maluco:
- Música como código.
- Síntese sonora profunda.
- Forte em composição algorítmica.
- Muito usado em arte sonora experimental.
Vale testar? Sim, se você quer música generativa ou livecoding sério.
Links:
32. Sonic Pi
Tipo: ambiente de livecoding musical
Ideia central: ensinar programação e música ao mesmo tempo.
Sonic Pi é mais acessível que SuperCollider. Você escreve código e ouve música imediatamente. É excelente para aprender programação criativa.
Por que é criativo/maluco:
- Código ao vivo.
- Música algorítmica acessível.
- Bom para educação.
- Dá resultado rápido.
Vale testar? Sim. Porta de entrada perfeita para livecoding.
Links:
- Site: https://sonic-pi.net/
33. TidalCycles
Tipo: livecoding musical baseado em padrões
Ideia central: compor música com padrões algorítmicos em Haskell.
TidalCycles é mais hardcore que Sonic Pi. Ele usa uma linguagem de padrões sobre Haskell e geralmente controla SuperDirt/SuperCollider.
Por que é criativo/maluco:
- Música como padrões manipuláveis.
- Comunidade algorave.
- Forte em ritmos complexos.
- Haskell no palco, o que já é uma pequena loucura.
Vale testar? Sim, se você gosta de música eletrônica experimental e não tem medo de setup.
Links:
- Site: https://tidalcycles.org/
34. Processing
Tipo: linguagem/ambiente para arte visual e ensino de programação
Ideia central: tornar programação visual acessível para artistas e designers.
Processing é talvez a porta de entrada mais clássica para creative coding visual. É simples, direto e muito usado em arte generativa.
Por que é criativo/maluco:
- Código como desenho.
- Excelente para arte generativa.
- Comunidade enorme.
- Influenciou p5.js.
Vale testar? Sim. É obrigatório para quem gosta de arte computacional.
Links:
- Site: https://processing.org/
35. p5.js
Tipo: biblioteca JavaScript para creative coding
Ideia central: Processing no navegador.
p5.js leva a filosofia do Processing para JavaScript. É ótimo para sketches, arte generativa, interações visuais e publicação fácil na web.
Por que é criativo/maluco:
- Arte generativa direto no navegador.
- Simples de compartilhar.
- Excelente para pequenos experimentos.
- Muito bom para ensinar programação criativa.
Vale testar? Sim. Para você, que mexe com web, é extremamente prático.
Links:
- Site: https://p5js.org/
36. Scratch
Tipo: linguagem visual educacional
Ideia central: programar com blocos, histórias e sprites.
Scratch parece infantil, mas subestimar Scratch é burrice. Ele é uma das melhores ferramentas para entender programação como criação, não como burocracia. E tem uma cultura de remix muito forte.
Por que é criativo/maluco:
- Programação por blocos.
- Forte cultura de remix.
- Baixa barreira de entrada.
- Criação rápida de animações, jogos e histórias.
Vale testar? Sim, nem que seja por respeito histórico e pedagógico.
Links:
- Site: https://scratch.mit.edu/
4. Sistemas filosóficos, descentralizados ou de infraestrutura esquisita
37. Urbit
Tipo: rede pessoal + identidade + sistema operacional virtual
Ideia central: cada usuário tem um servidor pessoal soberano, uma identidade criptográfica e uma rede peer-to-peer própria.
Urbit é difícil de explicar porque ele reinventa nomes, pilha, identidade e modelo de rede. Tem Azimuth, Vere, Arvo, ships, Hoon. É uma tentativa radical de reconstruir computação pessoal em rede.
Por que é criativo/maluco:
- Vocabulário próprio.
- Identidade criptográfica.
- Servidor pessoal soberano.
- Sistema operacional virtual próprio.
- Rede peer-to-peer própria.
Vale testar? Sim, mas com paciência. A curva cultural é tão grande quanto a técnica.
Links:
- Site: https://urbit.org/
- GitHub: https://github.com/urbit/urbit
38. MirageOS
Tipo: library operating system / unikernel em OCaml
Ideia central: compilar uma aplicação em um sistema operacional mínimo e especializado.
MirageOS vira a ideia tradicional de OS do avesso. Em vez de rodar sua aplicação em cima de um sistema gigante, você compila a aplicação junto com apenas as partes de sistema de que ela precisa. O resultado é um unikernel.
Por que é criativo/maluco:
- OS como biblioteca.
- Unikernels especializados.
- OCaml e tipagem forte.
- Aplicações viram imagens autônomas.
- Muito elegante para serviços pequenos.
Vale testar? Sim, se você gosta de infraestrutura, segurança e sistemas minimalistas.
Links:
39. Unikraft
Tipo: sistema modular para unikernels
Ideia central: criar unikernels rápidos e especializados com menos sofrimento.
Unikraft é mais voltado para desempenho e infraestrutura do que para estética, mas a ideia continua radical: transformar aplicações em imagens mínimas que bootam muito rápido e usam poucos recursos.
Por que é criativo/maluco:
- Imagens minúsculas.
- Boot extremamente rápido.
- Sistema modular.
- Aplicações comuns como nginx/Redis podem virar unikernels.
Vale testar? Sim, se você quer brincar com infraestrutura avançada. Não é brinquedo de iniciante.
Links:
- Site: https://unikraft.org/
40. Rump kernels
Tipo: componentes de kernel NetBSD reaproveitados em userspace/unikernels
Ideia central: usar partes de um kernel real como bibliotecas portáveis.
Rump kernels são uma abordagem curiosa: pegar drivers, filesystems e subsistemas do NetBSD e rodá-los de forma modular fora do kernel tradicional.
Por que é criativo/maluco:
- Kernel como componentes reutilizáveis.
- NetBSD desmontado em peças.
- Útil para pesquisa, unikernels e sistemas especializados.
Vale testar? Mais para estudo do que diversão.
Links:
- Site: https://rumpkernel.org/
5. Outras esquisitices recomendadas
41. Emacs
Tipo: editor extensível / ambiente Lisp
Ideia central: editor que virou quase sistema operacional de texto.
A piada “Emacs é um ótimo sistema operacional, só falta um editor decente” existe por um motivo. Emacs tem e-mail, agenda, terminal, navegador textual, IRC, org-mode, Lisp embutido e extensibilidade absurda.
Por que é criativo/maluco:
- Ambiente vivo em Emacs Lisp.
- Org-mode é praticamente um sistema de vida.
- Pode virar IDE, agenda, wiki, cliente de e-mail e painel de controle.
- Filosofia profundamente diferente de apps isolados.
Vale testar? Sim. Para você, pode ser perigoso: dá para cair no buraco sem fundo do org-mode.
Links:
42. Acme
Tipo: editor/ambiente do Plan 9
Ideia central: texto como interface universal clicável e executável.
Acme é um editor que não parece editor moderno. Ele mistura janelas, comandos, texto e mouse chording. É uma interface para trabalhar com texto e comandos de forma integrada.
Por que é criativo/maluco:
- Comandos são texto.
- Mouse tem papel central.
- Integra-se com a filosofia Plan 9.
- Influenciou formas diferentes de pensar IDE/editor.
Vale testar? Sim, se você testar Plan 9/9front.
Links:
- Documentação: https://9p.io/sys/doc/acme/acme.html
43. HyperCard
Tipo: ambiente histórico de autoria multimídia
Ideia central: pilhas de cartões programáveis por scripts.
HyperCard foi um ambiente da Apple que permitia criar pequenos programas, bancos de dados, histórias interativas e hipermídia usando cartões e botões. Influenciou muito a ideia de hipertexto e criação pessoal.
Por que é criativo/maluco:
- Programação acessível para não-programadores.
- Cartões, botões e scripts.
- Mistura banco de dados, app, apresentação e hipertexto.
- Um ancestral espiritual de muita coisa no-code.
Vale testar? Sim, via emulação ou clones modernos.
Links:
- Contexto: https://en.wikipedia.org/wiki/HyperCard
44. VisiData
Tipo: ferramenta terminal para explorar dados
Ideia central: uma interface textual interativa para dados tabulares.
VisiData não é “maluco” como TempleOS, mas é criativo porque transforma CSVs, JSONs, SQLite e outros formatos em uma navegação interativa no terminal. Parece uma planilha hacker.
Por que é criativo/maluco:
- Planilha no terminal.
- Exploração rápida de dados.
- Suporta muitos formatos.
- Muito produtivo para análise exploratória.
Vale testar? Sim. Pode ser útil de verdade.
Links:
45. Glamorous Toolkit
Tipo: ambiente de programação moldável
Ideia central: ferramentas de desenvolvimento que se adaptam ao problema.
Glamorous Toolkit vem da linha Smalltalk/Pharo e promove “moldable development”: criar ferramentas customizadas para entender sistemas específicos.
Por que é criativo/maluco:
- IDE como ambiente moldável.
- Inspeções customizadas.
- Forte em exploração de sistemas complexos.
- Computação como construção de ferramentas de pensamento.
Vale testar? Sim, se você gosta de pesquisa, documentação viva e programação exploratória.
Links:
- Site: https://gtoolkit.com/
Ranking honesto para você, Pablo
Considerando seu perfil — servidores, fediverso, automação, projetos pessoais, estética retrô/weird, programação, documentação e curiosidade por sistemas — eu priorizaria assim:
Para brincar agora, sem dor absurda
- PICO-8 — diversão imediata, criatividade pura.
- Uxn — muito alinhado com indie web, permacomputing, ferramentas pequenas.
- Orca — estética e conceito fortes; ótimo para inspiração.
- Haiku — desktop alternativo realmente agradável.
- Squeak/Pharo — muda sua cabeça sobre programação.
Para estudo técnico sério
- Plan 9 / 9front — obrigatório se você gosta de sistemas e redes.
- Oberon — obrigatório se você gosta de simplicidade radical.
- Mezzano — obrigatório se Lisp Machines te atraem.
- Redox — bom para Rust e OS moderno.
- MirageOS — bom para infra minimalista e serviços especializados.
Para projetos seus
- NixOS — mais útil de verdade para sua infraestrutura.
- Uxn — bom para ferramentas pessoais pequenas e estéticas.
- PICO-8/TIC-80 — bom para mini-jogos, visualizações e experimentos.
- Processing/p5.js — bom para arte generativa e conteúdo web.
- VisiData — útil para mexer com CSV, logs, exportações e dados.
Para “maluquice conceitual”
- TempleOS / ZealOS
- Collapse OS / Dusk OS
- Urbit
- Mezzano
- Plan 9 / Inferno
Tabela comparativa
| Projeto | Categoria | Dificuldade | Criatividade | Usabilidade real | Melhor motivo para testar |
|---|---|---|---|---|---|
| TempleOS | OS autoral | Alta | Máxima | Baixa | Ver uma visão computacional pessoal extrema |
| ZealOS | OS autoral | Média/Alta | Máxima | Baixa/Média | TempleOS modernizado |
| Plan 9 | OS pesquisa | Alta | Alta | Baixa/Média | Entender outra evolução possível do Unix |
| 9front | OS pesquisa | Alta | Alta | Média | Plan 9 vivo e comunitário |
| Inferno | OS/VM distribuído | Alta | Alta | Baixa | Linguagem + VM + rede distribuída |
| Oberon | OS acadêmico | Média/Alta | Alta | Baixa | Minimalismo total |
| Squeak | Ambiente vivo | Média | Alta | Média | Programação como mundo de objetos |
| Pharo | Smalltalk moderno | Média | Alta | Média/Alta | Smalltalk mais acessível hoje |
| Mezzano | Lisp OS | Alta | Alta | Baixa | Lisp Machine moderna |
| Haiku | Desktop OS | Baixa/Média | Média | Média | BeOS renascido |
| SerenityOS | Desktop OS | Média | Alta | Baixa/Média | OS retrô feito do zero |
| Redox | Rust OS | Média/Alta | Média | Baixa/Média | Microkernel em Rust |
| KolibriOS | Tiny OS | Baixa/Média | Alta | Baixa | Desktop em poucos MB |
| AROS/Icaros | Amiga-like | Média | Média/Alta | Média | Cultura Amiga viva |
| NixOS | Linux declarativo | Alta | Média/Alta | Alta | Infra reprodutível |
| Collapse OS | Pós-colapso | Alta | Máxima | Baixa | Computação resiliente |
| Uxn | VM/plataforma | Média | Máxima | Média | Ferramentas pequenas e duráveis |
| PICO-8 | Fantasy console | Baixa | Alta | Alta | Criar jogos pequenos |
| Orca | Livecoding | Média | Máxima | Média | Música procedural em grade textual |
| Pure Data | Visual/audio | Média | Alta | Alta | Arte sonora e multimídia |
| Max/MSP | Visual/audio | Média | Alta | Alta | Performance audiovisual profissional |
| Urbit | Rede/OS virtual | Alta | Alta | Média | Servidor pessoal soberano |
| MirageOS | Unikernel | Alta | Alta | Média | Serviços mínimos e seguros |
| Emacs | Ambiente textual | Média/Alta | Alta | Alta | Um mundo Lisp de produtividade |
Caminho prático de exploração em 7 dias
Dia 1 — PICO-8
Instale, abra alguns cartuchos, faça um sprite e tente criar uma tela simples. Objetivo: entender o prazer das limitações.
Dia 2 — Uxn
Abra alguns programas Uxn/Varvara e leia exemplos de Uxntal. Objetivo: sentir a estética permacomputing.
Dia 3 — Squeak ou Pharo
Abra o ambiente, inspecione objetos, altere algo ao vivo. Objetivo: entender “imagem viva”.
Dia 4 — Haiku
Rode em VM. Explore Tracker, Deskbar, apps e sistema de pacotes. Objetivo: ver um desktop alternativo que não é piada.
Dia 5 — 9front
Instale em VM, mexa no rio, leia docs, tente entender namespaces e 9P. Objetivo: sofrer um pouco, mas sair mais inteligente.
Dia 6 — Oberon
Leia o material do Project Oberon e rode uma versão/emulador. Objetivo: ver minimalismo brutal.
Dia 7 — Orca ou Pure Data
Faça um patch/grade musical simples. Objetivo: ver código virar som.
Conclusão brutalmente honesta
A maior parte desses projetos não serve para “substituir seu sistema operacional”. Essa é a pergunta errada.
A pergunta certa é:
Que ideias esses projetos preservam que a computação mainstream jogou fora?
TempleOS preserva a ideia de um computador como obra pessoal total. Plan 9 preserva uma visão distribuída e elegante de recursos. Oberon preserva a ideia de um sistema inteiro compreensível. Smalltalk preserva a imagem viva e a programação exploratória. Uxn preserva software pequeno, durável e artesanal. PICO-8 preserva a criatividade por restrição. Collapse OS preserva a pergunta desconfortável: “e se a nuvem acabar?”.
Para uso prático, comece por PICO-8, Uxn, Haiku, Pharo e NixOS.
Para mudar sua cabeça, vá de Plan 9, Oberon, Squeak, Mezzano e Collapse OS.
Para inspiração estética/weird, vá de TempleOS/ZealOS, Orca, Uxn, PICO-8 e 9front.
Fontes principais
- TempleOS: https://templeos.org/
- ZealOS: https://github.com/Zeal-Operating-System/ZealOS
- Plan 9: https://9p.io/plan9/
- Plan 9 Wiki: https://plan9.io/wiki/plan9/plan_9_wiki/
- Awesome Plan 9: https://github.com/henesy/awesome-plan9
- Inferno docs: https://inferno-os.com/inferno/docs.html
- Project Oberon: https://www.projectoberon.net/
- Squeak: https://squeak.org/
- Pharo: https://pharo.org/
- Mezzano: https://github.com/froggey/Mezzano
- Haiku: https://www.haiku-os.org/
- SerenityOS: https://serenityos.org/
- Redox OS: https://redox-os.org/
- KolibriOS: https://kolibrios.org/en
- AROS: https://aros.sourceforge.io/
- NixOS: https://nixos.org/
- Guix: https://guix.gnu.org/
- Collapse OS: https://collapseos.org/
- Uxn: https://wiki.xxiivv.com/site/uxn.html
- PICO-8: https://www.lexaloffle.com/pico-8.php
- TIC-80: https://tic80.com/
- WASM-4: https://wasm4.org/
- Orca: https://github.com/hundredrabbits/Orca
- Pure Data: https://puredata.info/
- Max: https://cycling74.com/products/max
- SuperCollider: https://supercollider.github.io/
- Sonic Pi: https://sonic-pi.net/
- TidalCycles: https://tidalcycles.org/
- Processing: https://processing.org/
- p5.js: https://p5js.org/
- Urbit: https://urbit.org/
- MirageOS: https://mirage.io/
- Unikraft: https://unikraft.org/
- Emacs: https://www.gnu.org/software/emacs/
- Acme: https://9p.io/sys/doc/acme/acme.html
- VisiData: https://www.visidata.org/
- Glamorous Toolkit: https://gtoolkit.com/
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